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02/06/2017 às 13h56min - Atualizada em 02/06/2017 às 13h56min

Mina está enriquecendo toda a população e é vista como bênção para salvar Sento Sé.



Atribuir a descoberta da jazida de ametista a um ato divino para salvar Sento Sé se tornou quase unanimidade nas conversas entre garimpeiros e moradores. Lá, a mina é classificada como a “bênção de Deus” sobre a cidade. Não poderia ser diferente. Além da religiosidade comum ao sertanejo, não havia perspectiva de escapar da grave crise iniciada em 2008.

Naquele ano, se intensificava o processo de fechamento da Frutimag, que produzia uvas de alta qualidade destinadas ao mercado internacional. No auge, empregava 3,1 mil pessoas. Grande parte de Sento Sé. Era a maior fonte de trabalho e renda da cidade.

De uma vez, a Frutimag mandou embora os funcionários e encerrou as atividades. Dono da empresa, o ex-governador mineiro Newton Cardoso responsabilizou o Estado. As condições da BA-210, com 50 quilômetros de estrada de chão e esburacada, inviabilizavam o negócio, disse à época. Além de dificultar o escoamento da produção, as uvas ficavam machucadas e perdiam valor.

Começou ali o calvário em Sento Sé. Com 41 mil habitantes, a cidade é a terceira maior da Bahia em tamanho e também na quantidade de pessoas em situação de miséria, de acordo com dados do IBGE. Sobrou só a cebola, base da agricultura local.

Até que veio a pedra. E com ela um novo movimento. Nas últimas semanas, os seis pequenos hotéis da cidade não penaram mais para ocupar os leitos. Estão lotados. O comércio sentiu de imediato o reforço da ametista.

Luiz Riomar, dono de um restaurante na Praça João Nunes Sento Sé, a maior da cidade, conta que multiplicou por quatro o faturamento nos últimos 30 dias. “Vendíamos quatro caixas de cerveja por semana. Hoje é perto de 20. A venda de refeições seguiu o mesmo ritmo”, comemora.

No único posto de combustíveis, os frentistas afirmam que nunca viram tamanho fluxo de veículos e que também nunca venderam tanto. Mercados, lojas de ferramentas e imóveis para aluguel experimentam o mesmo boom. Vendedores de comida e bebida migraram para o garimpo. Mas a ametista trouxe também problemas e o lado obscuro do comércio de pedras preciosas, o que poderá ser visto amanhã, na segunda e última reportagem sobre a mina.

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