Jovens da Fundação CASA celebram diversidade cultural em Festival de Dança no Sesc Jundiaí

Com a participação de 186 adolescentes, evento incentivou a expressão artística, a disciplina e a valorização cultural

Por MATHEUS VINICIUS
10 8 Min

Marcelo Machado/Fundação CASA

A energia da arte tomou conta do palco do Sesc Jundiaí durante o Festival de Dança da Fundação Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente (CASA), vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania. O evento, realizado em 20 de outubro, reuniu 186 adolescentes de 18 centros socioeducativos, com apresentações que destacaram identidade, ancestralidade, cultura popular, superação e autocuidado.
Organizado pela Gerência de Educação Física e Esporte (GEFESP), com apoio do Sesc Jundiaí, o festival teve como objetivo oferecer vivências corporais educativas e incentivar a expressão artística e a socialização dos jovens. Ao todo, foram 29 coreografias apresentadas em um ambiente com estrutura de teatro profissional, iluminação cênica e sonorização completa.
“Cada coreografia é resultado de estudo, dedicação e sensibilidade, tanto dos adolescentes quanto dos profissionais que os acompanham. A dança é uma ferramenta pedagógica potente, capaz de ampliar repertórios e fortalecer vínculos”, afirmou a gerente de Educação Física e Esporte da Fundação CASA, Janaina de Brito Asprino.
A abertura ficou por conta dos jovens do CASA Vitória Régia, da cidade de Lins, com “O Som da Espiritualidade”, inspirada na música Jerusalema (versão remix da banda Olodum). A coreografia, marcada pelo uso de baquetas e movimentos fluidos, explorou a fé e a união como elementos de superação. O grupo retornou ao palco com “Country Dance – Texas Além da Vida Real”, uma performance em ritmo country, com trilha sonora Texas Hold 'Em, da cantora Beyoncé, que destacou confiança, força e sincronia.
Do litoral paulista, o CASA Mongaguá trouxe leveza e entusiasmo com “Meu Tesouro”, ao som de Treasure, de Bruno Mars, em uma coreografia vibrante e retrô. Depois, os adolescentes contagiaram o público com “Vibrando a Alegria”, inspirada em Can’t Stop the Feeling, de Justin Timberlake, que transmitiu felicidade e autoestima por meio da dança.
O CASA Araçatuba levou o público a uma viagem pelos anos 1970, 1980 e 1990 com “Flashback Bee Gees e ABBA”, com figurinos coloridos e movimentos animados e sincronizados que recriaram o clima dançante da era disco. Depois, apresentou “Maculelê (Ayeye)”, que exaltou a ancestralidade afro-brasileira com movimentos firmes e simbólicos, representando liberdade e resistência.
Já o CASA Rio Pardo, em Ribeirão Preto, reviveu a contracultura da década de 1960 com “Movimento Hippie”, utilizando botas de Kangoo Jump e figurinos psicodélicos que traduziram alegria e espírito livre. Em seguida, os jovens voltaram ao palco com “Capoeira Portunhol”, uma fusão de dança e luta que uniu capoeira, samba e ritmos latinos.
As adolescentes do CASA Feminino Diadema encantaram o público com “Entre a Força e a Elegância”, inspirada no maculelê e na força feminina afro-brasileira. Na sequência, apresentaram uma valsa inglesa, que simbolizou delicadeza, superação e confiança por meio de giros e movimentos harmoniosos.
O CASA Três Rios, em Iaras, arrancou risadas e aplausos com “Tributo aos Mamonas Assassinas”, marcada pela irreverência e o humor característicos da banda. Mais tarde, apresentou “Homenagem a Deus e à Natureza”, uma celebração à cultura africana e à espiritualidade, com coreografia inspirada na canção Jerusalema, do DJ e produtor sul-africano Master KG.
Os adolescentes do CASA São José do Rio Preto mostraram técnica e energia em “Fusão Rítmica”, que uniu diversos estilos de dança em blocos dinâmicos e criativos. Em “Somos Todos África”, destacaram a herança cultural comum entre os povos, representando a ancestralidade por meio de gestos e expressões corporais fortes.
O CASA Marília levou descontração ao palco com “Carreta da Alegria”, animada e cheia de movimento, e depois apresentou “Ritmos que Voam”, inspirada no flamenco, uma dança tradicional da Espanha, ao som de Volare, do grupo Gipsy Kings, misturando intensidade e elegância.
O CASA Feminino Anita Garibaldi, em Cerqueira César, promoveu uma viagem multicultural com “Dançando pelo Mundo Afora”, que reuniu ritmos internacionais e valorizou a autoestima das participantes. Em seguida, encantou com “Ai Menina”, inspirada na canção de Lia Sophia, celebrando a força e a alegria da cultura nordestina.
O CASA Jacareí levantou reflexão social com “Que Brasil é Esse?”, em que os adolescentes representaram diferentes profissões e classes sociais, propondo um olhar crítico sobre as desigualdades. Já o CASA Osasco I apresentou “No Ritmo das Lutas”, com coreografia inspirada em artes marciais.
O CASA Bela Vista, localizado na capital paulista, sensibilizou a plateia com “Beautiful – Autoexame”, inspirada na música de Snoop Dogg, transmitindo uma mensagem de autocuidado e prevenção ao câncer de mama, em alusão ao Outubro Rosa. O CASA Botucatu apresentou “Dança x Infância”, ao som de Acorda Pedrinho, destacando a dança como forma de promover saúde, bem-estar e inclusão por meio de movimentos leves e divertidos. Na sequência, os adolescentes trouxeram “Dança”, inspirada nas danças urbanas das culturas afro-americanas e latinas, valorizando a expressão corporal e a diversidade artística.
O CASA Vila de São Vicente homenageou Michael Jackson com “They Don't Care About Us”, coreografia impactante que refletiu sobre desigualdade social. O CASA Feminino Chiquinha Gonzaga, da capital, apresentou “Tapioca e Carimbó”, um mix de danças que uniu os ritmos do forró e do carimbó. A coreografia, embalada pelas músicas Massa de Mandioca, de Mastruz com Leite, e Dança do Carimbó, de Pinduca, refletiu a alegria, a vivacidade e a riqueza cultural das regiões Norte e Nordeste do país.
O CASA Peruíbe explorou as origens da cultura de rua com “Do Break ao Funk”, retratando a evolução da dança urbana e o poder de expressão dos jovens nas periferias. O CASA Feminino Cerqueira César encantou com duas performances musicais: “Homenagem aos Clássicos da Música”, relembrando sucessos das décadas de 1950 a 1980, e “Brasilidade”, um tributo à diversidade sonora e cultural do país.
O CASA Governador Mário Covas, também na capital, apresentou “Jovens Matutos Baianá”, inspirada na música Baianá, do grupo Barbatuques. Com ritmo contagiante e movimentos marcados, os adolescentes celebraram identidade, cultura e alegria nordestina, em uma coreografia que destacou a força dos ritmos regionais e o orgulho das raízes brasileiras.
A presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, destacou o valor educativo da iniciativa: “Quando oferecemos educação, cultura e experiências como este festival, fortalecemos valores positivos e abrimos caminho para novas escolhas. Nosso compromisso é formar cidadãos capazes de reconstruir suas trajetórias e contribuir para uma sociedade mais justa e solidária”.
Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização, e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social. Mais informações em: https://fundacaocasa.sp.gov.br/.
 

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