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Entre a matrícula e o penico: como a exigência do desfralde nas escolas pode adoecer as crianças

Especialista alerta que o processo não deve ser apressado: o desfralde precoce, comum na época de rematrículas, pode causar disfunções urinárias e intestinais

TâNIA OLIVEIRA
30/11/2025 21h15 - Atualizado há 6 dias
Entre a matrícula e o penico: como a exigência do desfralde nas escolas pode adoecer as crianças
Freepik
Com a chegada da temporada de rematrículas, muitas famílias se veem pressionadas a tirar a fralda dos filhos antes da hora. Isso porque diversas escolas ainda exigem que a criança esteja desfraldada para ingressar na turma seguinte.

O resultado? Um número crescente de desfraldes precoces, conduzidos sem que a criança tenha maturidade fisiológica para isso, o que pode gerar sérias consequências.


A terapeuta ocupacional Silvia Ueno Leonetti, conhecida como Fada do Cocô, explica que o desfralde não deve seguir o calendário escolar, e sim o tempo da criança. “A bexiga tem um tempo próprio de amadurecimento, e quando esse processo é forçado, a criança pode acabar se desconectando das sensações naturais do corpo”, afirma.

Segundo a especialista, um erro comum nas escolas é o uso da chamada “hora do xixi”  quando todas as crianças são levadas juntas ao banheiro, em horários fixos. “Isso condiciona a bexiga a funcionar sob comando externo, e não pela vontade fisiológica da criança. Ela deixa de reconhecer o momento certo de fazer xixi, o que pode levar a escapes, infecções urinárias e até bexiga hiperativa”, explica Silvia.

Além das questões urinárias, há também impactos intestinais. A retirada precoce da fralda pode fazer a criança segurar o cocô, o que favorece quadros de constipação e até incontinência fecal.

“Seria cômico se não fosse trágico: os erros mais comuns no desfralde são justamente os que mais vemos nas escolas e nas casas. E quem paga o preço é a saúde das crianças”, reforça.

A especialista defende que o desfralde deve ser conduzido com paciência, respeito e informação, nunca com pressa.

“Já passou da hora de as escolas atualizarem seus protocolos. Não é o desfralde que deve se adaptar ao calendário escolar — é o calendário que deve respeitar o tempo da criança. A infância não pode ser atropelada por burocracia”, finaliza Silvia.

Para lidar com esses casos, Silvia criou uma personagem lúdica: a Fada do Cocô, que virou apoio terapêutico e estrela do livro “A Visita Inesperada de uma Fada Diferente”. Na história, a fadinha ajuda uma criança a superar o medo de evacuar, por meio de afeto, acolhimento e a “varinha da coragem”.


A personagem também protagoniza o Clube da Fada, com livros educativos, atividades e trilha terapêutica para que a criança se aproxime do banheiro com mais confiança e aprenda sobre o próprio corpo e a alimentação saudável.
“Vale lembrar que desfralde não é etapa escolar, é marco de desenvolvimento e cada criança tem o seu tempo de resposta aos estímulos. A pressa dos adultos não pode atropelar a maturidade do corpo infantil”. Finaliza, Silvia.
 

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TÂNIA REGINA ALMEIDA DE OLIVEIRA
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