O Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) divulgou os dados de seu mais recente Panorama dos Custos Logísticos no Brasil, revelando que os gastos do setor atingiram um patamar histórico. O levantamento estima que as despesas com operações logísticas somaram cerca de R$ 940 bilhões, um montante que reflete a complexidade e os desafios estruturais enfrentados pelas empresas para movimentar produtos no território nacional.
O estudo aponta que os custos logísticos no Brasil representam uma fatia desproporcional do Produto Interno Bruto (PIB) quando comparados a economias maduras. Enquanto em países como os Estados Unidos esse índice gira em torno de 8%, no Brasil a logística consome aproximadamente 18% das riquezas produzidas. O relatório atribui essa disparidade a fatores como a alta carga tributária, a infraestrutura de transportes ainda em desenvolvimento e a volatilidade nos preços do diesel.
Diante desse cenário macroeconômico desafiador, a eficiência na gestão de fretes tornou-se imperativa. "Com o custo operacional pressionado, a gestão estratégica não é mais apenas um diferencial, mas uma necessidade de sobrevivência financeira. Otimizar a ocupação dos veículos e reduzir tempos de espera são caminhos obrigatórios para manter a competitividade sem repassar integralmente o aumento de custos ao consumidor final", avalia Beatriz Cabral, sócia proprietária da Beon Transportes.
A pesquisa do ILOS destaca que o transporte rodoviário continua sendo o principal modal utilizado, o que expõe a cadeia de suprimentos às oscilações dos combustíveis. Para mitigar esses impactos, empresas de varejo digital têm intensificado a análise de desempenho de seus parceiros logísticos. A busca pela melhor transportadora para ecommerce passa a envolver critérios que vão além do preço de tabela, priorizando indicadores de nível de serviço (SLA) e capacidade tecnológica de rastreamento para evitar reentregas onerosas.
Outra estratégia citada por especialistas para diluir os custos fixos é a otimização das transferências de longa distância. A operação de line haul, que conecta os centros de distribuição aos hubs regionais antes da entrega final, tem recebido investimentos em consolidação de carga. O objetivo é garantir que os veículos pesados rodem com capacidade máxima por maiores distâncias, reduzindo o custo unitário por quilo transportado antes da etapa de fracionamento.
Além do transporte, o estudo do ILOS chama a atenção para o custo de estoques. Com a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados durante o período analisado, o custo financeiro de manter mercadorias paradas nos armazéns aumentou significativamente. Isso forçou as empresas a revisarem suas políticas de inventário, buscando um equilíbrio delicado entre ter o produto disponível para pronta entrega e não imobilizar capital excessivo em armazenagem.
O panorama também aborda o impacto setorial, mostrando que o agronegócio continua sendo um grande demandante de infraestrutura logística. O escoamento das safras recordes compete por espaço nas rodovias e portos, o que, sazonalmente, eleva o valor dos fretes em determinadas regiões do país, criando um efeito cascata que atinge também a indústria de transformação e o comércio varejista.
Em conclusão, o relatório do ILOS reforça que a redução do "Custo Brasil" depende de uma combinação de investimentos públicos em infraestrutura e inovação privada. Enquanto as melhorias estruturais de longo prazo não se concretizam, o mercado segue buscando na tecnologia e na gestão rigorosa de processos as ferramentas para navegar em um ambiente de custos elevados e margens comprimidas.
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VITORIA YUKI MOTOYAMA
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