A Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou os resultados da Pesquisa CNT de Rodovias 2024, o mais abrangente diagnóstico sobre a infraestrutura rodoviária do Brasil. O estudo percorreu e avaliou mais de 111 mil quilômetros de estradas pavimentadas em todas as unidades da federação, analisando critérios técnicos fundamentais como o estado do pavimento, a sinalização e a geometria da via. O relatório serve como principal referência para o setor público e privado na compreensão dos desafios logísticos do país.
Os dados apresentados no levantamento indicam um cenário misto. Embora o relatório aponte melhorias em determinados trechos, impulsionadas pela retomada de investimentos em concessões e obras públicas, uma parcela significativa da malha rodoviária ainda é classificada como regular, ruim ou péssima. A pesquisa detalha que problemas crônicos, como fissuras no asfalto e falta de acostamento, continuam sendo obstáculos para a fluidez do tráfego de cargas e passageiros.
O impacto dessas condições na rotina das empresas é direto e mensurável. "A qualidade do pavimento dita o ritmo da operação e a estrutura de custos. Estradas em condições adversas exigem revisões mais frequentes nos veículos e um planejamento de rotas rigoroso para cumprir os prazos sem comprometer a segurança da carga e do motorista", analisa Everaldo Correia, sócio proprietário da SegBem Transportes.
A análise da CNT destaca que a infraestrutura inadequada gera um custo adicional operacional para os transportadores. O consumo excessivo de combustível, o desgaste prematuro de pneus, freios e suspensão são consequências diretas da circulação em vias com pavimento degradado ou geometria deficiente. Esse custo extra, muitas vezes, acaba sendo repassado ao longo da cadeia de suprimentos, encarecendo o produto final.
Diante da variabilidade das condições das estradas, a estratégia de distribuição precisa ser adaptada para cada região. No segmento de carga fracionada, onde o veículo transporta encomendas de diversos remetentes para múltiplos destinos, a capilaridade da malha viária é crucial. A pesquisa evidencia que rotas secundárias, frequentemente utilizadas para entregas em cidades menores, tendem a apresentar índices de qualidade inferiores às grandes rodovias troncais.
Para mitigar os riscos de avarias e atrasos decorrentes das más condições de rodagem, o setor tem investido em soluções de descentralização. A utilização estratégica de um armazém logístico bem posicionado permite que as empresas mantenham estoques mais próximos dos centros de consumo. Isso reduz a distância percorrida na etapa final da entrega (last mile), minimizando a exposição da frota e da mercadoria aos trechos mais críticos apontados pelo estudo.
Além das questões econômicas, o relatório da CNT enfatiza a correlação entre infraestrutura e segurança viária. A ausência de sinalização vertical e horizontal adequadas, somada a traçados antigos que não comportam o fluxo atual de veículos pesados, são fatores que elevam o risco de acidentes. O estudo reforça a necessidade de adequação da geometria das vias, incluindo a implementação de terceiras faixas e retornos seguros.
O documento conclui que, apesar dos esforços recentes para a recuperação da malha, o volume de investimentos ainda precisa ser ampliado para que o Brasil alcance padrões de eficiência logística competitivos. A CNT ressalta que a priorização de obras de manutenção e expansão é vital para reduzir o "Custo Brasil" e garantir a sustentabilidade do transporte rodoviário, modal responsável pela movimentação da maior parte da riqueza nacional.
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VITORIA YUKI MOTOYAMA
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