Uso responsável de IAs: NTT DATA alerta para desafios regulatórios e sociais

Rodrigo Krüger, Diretor de Dados & IA da empresa, defende necessidade de práticas éticas e de governança para evitar riscos

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A Inteligência Artificial generativa abriu possibilidades inéditas, permitindo que textos, imagens e vídeos sejam gerados em segundos por qualquer usuário. Mas, junto com esse mesmo avanço técnico, surgem dilemas éticos, legais e sociais que não podem ser ignorados. À medida em que os modelos de IA conseguem produzir praticamente qualquer conteúdo solicitado, surgem os usos indevidos, e seus impactos: danos à imagem e saúde mental das pessoas, crises de marca e descontrole sobre informação em empresas. 

O crescimento acelerado desse setor reforça a urgência do debate. Segundo relatório da Market Research Future, o mercado global de Inteligência Artificial foi avaliado em U$ 391 no ano passado, com a previsão de atingir U$3,5 trilhões até 2033, impulsionado, principalmente, por plataformas generativas como o ChatGPT. No Brasil, dados da IMARC Group apontam que o setor atingiu U$ 371,2 milhões em 2025, sustentando por investimentos em infraestrutura digital, apoio governamental e expansão de startups focadas em IA. 

De acordo com Rodrigo Krüger, Diretor de Dados & IA da NTT DATA, o futuro legal da IA depende de uma responsabilidade compartilhada entre todos os envolvidos: criadores dos modelos, serviços que disponibilizam, agências reguladoras e usuários. “Do ponto de vista da mentalidade, a pergunta deve mudar de ‘até onde a IA pode ir’ para ‘como escolhemos usá-la’. Na conjuntura atual, a responsabilidade também faz parte da inovação”, afirma. 

O executivo destaca que, num esforço conjunto, tanto indivíduos quanto organizações podem contribuir, por meio de ações como respeitar leis e regulamentações, implementar governança de dados, aplicar critérios éticos desde o design e considerar o impacto das ferramentas para além da eficiência. Do ponto de vista corporativo, ressalta também que estruturas claras de compliance, políticas de uso e controle e transparência nos modelos são pilares para que a tecnologia atue como parceira da sociedade, e não risco. 

Para Krüger, o desafio não está apenas em criar mecanismos de controle, mas também em estabelecer uma cultura de responsabilidade que acompanhe cada etapa do ciclo de vida das IAs. “Para além de ganhos imediatos, é preciso avaliar os impactos de longo prazo, antecipar potenciais cenários de risco e garantir que seus benefícios sejam distribuídos de forma justa. A responsabilidade deve se estender da concepção até a aplicação prática, e isso exige visão estratégica e compromisso coletivo”, diz. 

Apesar dos riscos, o executivo ressalta que a Inteligência Artificial generativa já abre caminhos positivos e transformadores. Cita, por exemplo, ferramentas que já vêm sendo aplicadas em diagnósticos médicos, apoiando profissionais de saúde na análise de exames e na detecção precoce de doenças, como em processos industriais, otimizando cadeias de produção e reduzindo desperdícios.  

Por fim, Krüger defende que o debate sobre a responsabilidade no uso da IA não é apenas técnico, mas cultural e social. A forma como governos, empresas e cidadãos escolhem lidar com a tecnologia determinará se ela será usada para ampliar oportunidades ou para intensificar desigualdades e riscos. “O momento é de construção coletiva: cada decisão tomada hoje molda o futuro da Inteligência Artificial e seu papel na vida das pessoas”, conclui. 


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