Instituto Por Elas: O uso de dados e tecnologia para tirar mulheres da invisibilidade estrutural.

Saiba como o monitoramento estratégico de dados e o uso de IA permitem antecipar demandas jurídicas e escalar o atendimento a mulheres em situação de risco.

Por Bendita Letra
1 5 Min

Instituto Por Elas: O uso de dados e tecnologia para tirar mulheres da invisibilidade estrutural.
Instituto Por Elas

A carência de informações precisas ainda é um dos maiores obstáculos para o enfrentamento da violência de gênero no Brasil. Segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cerca de 35% das mulheres que sofreram agressões físicas ou sexuais em 2023 não procuraram ajuda ou denunciaram o fato por descrédito nas instituições. Esse silêncio estatístico alimenta um ciclo de invisibilidade estrutural que impede a criação de políticas públicas eficazes. No entanto, o uso estratégico da tecnologia surge como uma ferramenta decisiva para mapear esses padrões silenciosos e garantir que o amparo chegue antes mesmo do agravamento dos conflitos.

Para a presidente e fundadora do Instituto Por Elas, a inteligência tecnológica não deve ser vista apenas como um mecanismo de automação, mas como uma ponte humanitária. Ela defende que o cruzamento de indicadores socioeconômicos e jurídicos permite identificar gargalos no sistema de justiça que antes passavam despercebidos. "O monitoramento de dados não serve apenas para gerar relatórios frios; ele nos mostra exatamente onde a rede de apoio está falhando e onde precisamos fortalecer a presença jurídica", afirma Rizzia Froes. A advogada acredita que essa clareza permite transformar um sistema reativo em um modelo preventivo e acolhedor.

A escala do atendimento jurídico é outro ponto transformado pelo suporte digital. Em um país de dimensões continentais, alcançar mulheres em situação de risco exige agilidade no processamento de informações e na triagem de urgências. Com o auxílio de algoritmos bem direcionados, é possível antecipar demandas e organizar fluxos de trabalho que priorizem casos de perigo iminente. "Conseguimos escalar o acolhimento sem perder a essência do cuidado individualizado, usando a inovação para retirar o peso da burocracia das costas de quem já está fragilizada", explica a especialista.

Além da agilidade, a tecnologia atua no rompimento de barreiras geográficas e sociais. Muitas vezes, a mulher invisibilizada pelo sistema não tem acesso físico a um balcão de atendimento, mas possui um celular em mãos. A digitalização dos processos e o mapeamento inteligente garantem que o suporte jurídico não dependa apenas da presença física. Na visão da fundadora da instituição, a modernização é o caminho para democratizar o direito. "A tecnologia nos permite enxergar o que o Estado muitas vezes ignora, dando rosto e voz a quem foi mantida à margem por décadas", ressalta Froes.

A aplicação dessas ferramentas no cotidiano do terceiro setor tem mostrado que o futuro da defesa feminina passa pela precisão técnica aliada à sensibilidade social. Ao transformar dados brutos em estratégias de proteção, o Instituto Por Elas busca reduzir a distância entre a letra da lei e a realidade vivida nas comunidades. A meta é criar um ecossistema onde nenhuma agressão seja ignorada por falta de registro ou lentidão processual. "Inovar é, acima de tudo, garantir que a justiça seja um direito acessível e não um privilégio de quem sabe como navegar no sistema", pontua a idealizadora da iniciativa.

A integração entre o saber jurídico e o potencial das novas ferramentas digitais redesenha o papel das entidades de classe e do voluntariado. Ao antecipar tendências de criminalidade e vulnerabilidade, as lideranças conseguem agir de forma cirúrgica, otimizando recursos e salvando vidas. O compromisso com a transparência e a eficácia tecnológica estabelece um novo padrão para o setor, provando que a ciência de dados, quando aplicada com ética, é a maior aliada da dignidade humana.


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Fonte: Rizzia Froes - Advogada e Presidente e fundadora do Instituto Por Elas.


 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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