NextRock Investment Group planeja levantar US$ 5 bilhões para adquirir plataformas financeiras geradoras de caixa

Por AIRTON SOUZA
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A NextRock Investment Group está avançando com uma estratégia de financiamento estruturado que descreve como uma combinação de “economia de private equity com liquidez de crédito público”, enquanto se prepara para lançar uma plataforma de holding de ativos de próxima geração ancorada em serviços financeiros regulados.

No centro da estratégia da NEXTRock está a Flagship Acquisitions Platform, um veículo de capital permanente recém-estabelecido apoiado por quatro general partners fundadores — cada um ex-CEO ou chefe divisional de empresas públicas, com relações em nível de conselho em grandes instituições financeiras da Europa e da América do Norte. Coletivamente, a equipe afirma ter executado mais de US$ 100 bilhões em M&A e apresentado retornos de primeiro quartil ao longo de múltiplos ciclos.

A plataforma pretende adquirir simultaneamente três negócios de serviços financeiros não essenciais atualmente em processo de venda: uma unidade de seguros de vida sediada em Singapura pertencente a um grupo bancário global, uma joint venture canadense de processamento de pagamentos entre dois bancos domésticos, e uma plataforma de aposentadoria e investimentos no Reino Unido sendo desinvestida por uma controladora europeia.

O valor combinado dessas operações é estimado em cerca de US$ 7 bilhões, representando mais de US$ 2 bilhões em receita anual e mais de US$ 250 bilhões em ativos sob administração.

Para financiar as transações, a NextRock estruturou um modelo de capital institucional em duas camadas. A primeira tranche consiste em uma linha bridge de US$ 150 milhões — estruturada como ações preferenciais ou dívida sênior garantida com cupom de dois dígitos payment-in-kind — destinada a capitalizar a entidade emissora, garantir exclusividade nas aquisições e cumprir requisitos mínimos de ativos para uma listagem planejada na Hong Kong Stock Exchange.

Em seguida, está prevista uma emissão de dívida conversível de US$ 5 bilhões sob o Capítulo 37 do regime de listagem de Hong Kong, que permite exigências simplificadas para investidores profissionais em dívida. A estrutura pode se beneficiar de uma isenção da exigência padrão de dois anos de histórico auditado para novos emissores.

Um elemento central da oferta é o mecanismo de participação em equity para os detentores dos títulos. Investidores desse instrumento receberiam coletivamente uma participação de 10% na empresa gestora do general partner, obtendo exposição não apenas a retornos de renda fixa, mas também a taxas de gestão e carried interest gerados pela plataforma. O modelo efetivamente securitiza a economia do general partner, algo ainda relativamente incomum nos mercados públicos.

Os general partners devem contribuir com capital próprio relevante, alinhando seus interesses aos dos investidores externos. O veículo foi desenhado para gerar fluxos de caixa recorrentes e estáveis por meio de receitas de taxas associadas aos ativos adquiridos, com projeção de mais de US$ 75 milhões anuais em management fees após a conclusão das três transações.

A NextRock posiciona a plataforma como um produto híbrido: oferecendo características de rendimento típicas de crédito, combinadas com participação em valorização normalmente associada ao private equity. O horizonte de investimento visado é de cinco a sete anos, com a dívida listada proporcionando liquidez secundária e a participação em equity podendo ser monetizada via transações secundárias privadas ou uma futura listagem da gestora.

Os ativos subjacentes — seguros, pagamentos e aposentadoria — devem oferecer exposição defensiva, receitas recorrentes e forte geração de caixa, incluindo dinâmicas de capital de giro negativo em alguns segmentos. A empresa busca posições de liderança em cada vertical.

No entanto, a estrutura traz complexidade de execução. O sucesso depende da conclusão simultânea de múltiplas aquisições, coordenação regulatória entre jurisdições e apetite dos investidores por um produto que mistura classes de ativos tradicionais. Participantes do mercado destacam que, embora a engenharia seja sofisticada, ela também concentra riscos tanto no nível dos ativos quanto da plataforma.

A NextRock indicou que está refinando governança e mecanismos de proteção, incluindo priorização de fluxos de caixa, disciplina de alavancagem por ativo e planos de contingência caso alguma transação não se concretize. A linha bridge deve ser concluída no terceiro trimestre, seguida pela listagem da dívida, com as aquisições sendo finalizadas de forma escalonada ao longo do ano seguinte.

A ambição mais ampla da empresa é construir uma plataforma escalável e multiestratégia que conecte capital institucional a negócios operacionais — enquanto estabelece as bases para expansão em setores adjacentes, incluindo cultura e tecnologia.


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