Transformação social
Por José Umberto Vaz de Siqueira, diretor de Relacionamento e Inovação do Sicoob UniCentro Br
Arquivo pessoal - divulgação
O Brasil vive uma crise silenciosa, mas de grande impacto: a inadimplência e o endividamento das famílias alcançam patamares históricos. No final de 2025, o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas no Brasil, da Serasa, registrou em dezembro o maior número de inadimplentes de toda a série histórica: 81,2 milhões de pessoas – um recorde que expõe fragilidades estruturais da relação com o dinheiro, o crédito e o consumo. Nesse contexto, insistir em soluções pontuais ou emergenciais é insuficiente. É preciso olhar para a raiz do problema, que passa, inevitavelmente, pela responsabilidade das instituições financeiras na educação para o tema.
Mais do que ensinar a “fazer contas”, trata-se de formar cidadãos capazes de compreender o funcionamento da economia, avaliar riscos, planejar o futuro e tomar decisões conscientes. Nesse sentido, a inserção estruturada da educação financeira na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta-se como uma urgência educacional contemporânea. Isso porque ela ocupa um papel estratégico no processo de ensino-aprendizagem, levando à formação de jovens com uma consciência crítica sobre temas como trabalho, renda e mobilidade social.
Vale ressaltar que esse debate não é novo. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, por exemplo, reconhecido pela criação do conceito de “modernidade líquida” – termo cunhado para representar o mundo atual, marcado pela fragilidade dos laços sociais, pelo consumismo desenfreado e pela instabilidade – defendia que a educação ajuda a desconstruir a alienação gerada por esse estilo de vida. Aplicado às finanças, esse princípio significa fortalecer o desenvolvimento do pensamento crítico, para fomentar escolhas livres e autônomas, sem a pressão do consumo e da superficialidade desse cenário fluido.
Experiências com palestras e atividades educativas sobre planejamento financeiro, crédito consciente, organização das finanças e cooperativismo — temas frequentemente ausentes da formação tradicional — mostram que é possível gerar impactos concretos e mensuráveis. Pois, ao ampliar o acesso à informação qualificada e desenvolver o ensino por competência, fomenta-se uma cultura financeira mais consciente, participativa e sustentável. Quando as instituições financeiras entendem seus papeis nesse processo, elas compreendem que fortalecer esse ciclo é investir em transformação estrutural.
Em um país com mais de 80 milhões de inadimplentes, defender a educação financeira é mais do que uma proposta pedagógica. É um posicionamento político e social. Significa reafirmar o compromisso com a formação de profissionais e cidadãos capazes de fazer escolhas responsáveis, para si e para a coletividade. Ignorar essa agenda é aceitar a repetição de um ciclo de endividamento que cobra um preço alto demais da sociedade brasileira — e compromete o projeto de desenvolvimento do país.
José Umberto Vaz de Siqueira é diretor de Relacionamento e Inovação do Sicoob UniCentro Br
Mais do que ensinar a “fazer contas”, trata-se de formar cidadãos capazes de compreender o funcionamento da economia, avaliar riscos, planejar o futuro e tomar decisões conscientes. Nesse sentido, a inserção estruturada da educação financeira na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta-se como uma urgência educacional contemporânea. Isso porque ela ocupa um papel estratégico no processo de ensino-aprendizagem, levando à formação de jovens com uma consciência crítica sobre temas como trabalho, renda e mobilidade social.
Vale ressaltar que esse debate não é novo. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, por exemplo, reconhecido pela criação do conceito de “modernidade líquida” – termo cunhado para representar o mundo atual, marcado pela fragilidade dos laços sociais, pelo consumismo desenfreado e pela instabilidade – defendia que a educação ajuda a desconstruir a alienação gerada por esse estilo de vida. Aplicado às finanças, esse princípio significa fortalecer o desenvolvimento do pensamento crítico, para fomentar escolhas livres e autônomas, sem a pressão do consumo e da superficialidade desse cenário fluido.
Experiências com palestras e atividades educativas sobre planejamento financeiro, crédito consciente, organização das finanças e cooperativismo — temas frequentemente ausentes da formação tradicional — mostram que é possível gerar impactos concretos e mensuráveis. Pois, ao ampliar o acesso à informação qualificada e desenvolver o ensino por competência, fomenta-se uma cultura financeira mais consciente, participativa e sustentável. Quando as instituições financeiras entendem seus papeis nesse processo, elas compreendem que fortalecer esse ciclo é investir em transformação estrutural.
Em um país com mais de 80 milhões de inadimplentes, defender a educação financeira é mais do que uma proposta pedagógica. É um posicionamento político e social. Significa reafirmar o compromisso com a formação de profissionais e cidadãos capazes de fazer escolhas responsáveis, para si e para a coletividade. Ignorar essa agenda é aceitar a repetição de um ciclo de endividamento que cobra um preço alto demais da sociedade brasileira — e compromete o projeto de desenvolvimento do país.
José Umberto Vaz de Siqueira é diretor de Relacionamento e Inovação do Sicoob UniCentro Br
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): CAROLINA OLIVEIRA DE ASSIS
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