A hipertensão arterial atinge cerca de 32% da população adulta no Brasil, o que representa mais de 36 milhões de pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde. Para boa parte desse grupo, o controle da doença exige um coquetel diário de comprimidos que, nem sempre, surte o efeito esperado. O que muitos pacientes e até mesmo profissionais de saúde desconhecem é que a resistência ao tratamento pode não ser uma falha do medicamento, mas sim um reflexo de uma obstrução física escondida: a estenose da artéria renal. Trata-se de um estreitamento no vaso que irriga os rins, forçando o corpo a elevar a pressão para garantir que o sangue chegue ao órgão.
Quando essa passagem de sangue é dificultada por placas de gordura ou cálcio, o rim interpreta a baixa irrigação como uma queda generalizada na pressão do corpo. Em resposta, ele libera hormônios que retém sódio e contraem os vasos, criando um ciclo vicioso de hipertensão severa. O cirurgião vascular Josualdo Euzébio explica que essa condição é frequentemente silenciosa e perigosa. "Muitas vezes o paciente acredita que seu organismo é apenas difícil de tratar, quando na verdade existe um bloqueio mecânico impedindo a regulação natural do sistema circulatório", afirma o especialista.
A suspeita aumenta quando o uso de três ou mais remédios diferentes não consegue manter os índices em patamares saudáveis. O diagnóstico costuma ser feito por exames de imagem, como o eco-Doppler ou a angiotomografia, que revelam o grau de comprometimento do fluxo sanguíneo. Segundo o médico, identificar o problema precocemente evita que o rim sofra danos irreversíveis ou que o coração seja sobrecarregado pela pressão constantemente alta. "O foco deixa de ser apenas remediar o sintoma e passa a ser a correção da origem do problema vascular", ressalta.
A boa notícia para quem convive com essa resistência medicamentosa é a evolução dos tratamentos minimamente invasivos. Atualmente, a técnica endovascular permite desobstruir a via renal sem a necessidade de cirurgias abertas ou grandes cortes. Através de um pequeno furo na virilha ou no braço, um cateter leva um balão e um stent até o ponto exato do entupimento. Ao expandir essa malha metálica, a passagem é liberada instantaneamente, permitindo que o rim volte a funcionar com o fluxo adequado.
Esse procedimento moderno oferece uma recuperação extremamente rápida, com o paciente geralmente recebendo alta em 24 horas. Ao restabelecer a irrigação correta, o corpo interrompe a produção excessiva de hormônios hipertensivos, facilitando o controle da pressão com doses bem menores de remédio ou, em casos específicos, até a suspensão da medicação. O especialista destaca que a tecnologia transformou o prognóstico desses pacientes. "Conseguimos normalizar os níveis tensionais com uma intervenção rápida, devolvendo qualidade de vida e protegendo a função renal a longo prazo", pontua o cirurgião.
O olhar atento para a saúde das artérias pode ser o divisor de águas entre viver dependente de altas doses químicas ou encontrar o equilíbrio através de uma intervenção pontual. Compreender que a hipertensão pode ter uma causa anatômica é o primeiro passo para um tratamento mais assertivo e menos desgastante. Para quem luta contra o relógio e os medidores de pressão, a solução pode estar em desobstruir o caminho que o sangue percorre, garantindo que o organismo volte a trabalhar a favor da própria saúde.
Saiba mais sobre o trabalho do Dr. Josualdo Euzébio: @dr.josualdo
Fonte: Dr. Josualdo Euzébio — Cirurgião Vascular e Endovascular
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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