Nem todas as mães comemoram: o lado invisível do Dia das Mães entre divórcios, disputas e recomeços
Com mais de 11 milhões de mães solo no Brasil, segundo o IBGE, cresce o número de mulheres que enfrentam o Dia das Mães entre disputas judiciais, sobrecarga emocional e recomeços familiares
Luciana Faro/Faro Press
Enquanto campanhas publicitárias reforçam a imagem da maternidade idealizada, uma realidade silenciosa cresce no Brasil: milhares de brasileiras sofrem por não se enquadrarem nesse padrão. E essas mesmas mulheres enfrentam processos delicados de reorganização familiar. Para essas mães, a data pode estar longe das celebrações. Em vez disso, elas costumam acionar gatilhos como sentimentos de frustração, luto emocional e sobrecarga, especialmente quando há conflitos envolvendo guarda dos filhos, alienação parental ou rupturas recentes. De acordo com a advogada de família Dra. Caroline Serbaro, que atua com uma abordagem inovadora ao integrar Direito, Psicanálise e mediação de conflitos, esse cenário é mais comum do que se imagina. “O Dia das Mães pode se tornar um gatilho emocional para mulheres que estão lidando com o fim da família idealizada. Existe um luto que não é reconhecido socialmente, mas que impacta profundamente essas mães”, explica. É importante que essas mulheres se sintam acolhidas e saibam que possuem resguardo nas leis que garantem a elas o direito prioritário ao Bolsa Família, licença-maternidade de 120 dias, prioridade em programas habitacionais e direito a solicitar pensão alimentícia. A legislação também as protege contra demissão arbitrária e garante prioridade em vagas de creches. A especialista observa que o aumento dos divórcios nos últimos anos também trouxe à tona novas dinâmicas familiares marcadas por disputas judiciais desgastantes e pela necessidade de equilibrar emoções intensas com decisões legais importantes. Vale ressaltar que a forma como os conflitos são conduzidos faz toda a diferença. “Quando o processo ignora o aspecto emocional, ele tende a se prolongar e gerar ainda mais desgaste. Por isso, integrar escuta, mediação e inteligência emocional ao Direito não é um diferencial, é uma necessidade”, afirma a advogada. Além das questões jurídicas, há também um impacto direto na relação entre mães e filhos. Situações de conflito podem afetar vínculos, gerar insegurança emocional e transformar datas simbólicas, como o Dia das Mães, em momentos difíceis. Dra. Caroline defende uma abordagem mais humanizada, capaz de reduzir danos e promover soluções mais equilibradas para todas as partes envolvidas. “Não se trata apenas de encerrar um processo, mas de preservar relações que continuam existindo depois dele. O Direito precisa evoluir para acompanhar a complexidade das relações humanas”, destaca. Uma realidade que precisa ser vista Especialistas apontam que o Brasil registra um número crescente de divórcios e de famílias chefiadas por mulheres, o que reforça a importância de ampliar o debate sobre os desafios enfrentados por essas mães, especialmente em datas carregadas de simbolismo. Trazer esse olhar para o Dia das Mães é também ampliar a narrativa sobre o que significa maternar na vida real. Dar visibilidade a essa realidade é uma forma de acolher e legitimar experiências que, muitas vezes, permanecem invisíveis. Porque, para muitas mulheres, mais do que flores, o que elas desejam nessa data é estabilidade, empatia e paz. “Benditos sejam aqueles que apesar de viverem situações infernais, permanecem gentis”, finaliza Dra. Caroline. Sobre Dra. Caroline Serbaro Caroline Oehlerick Serbaro é advogada especialista em Direito de Família e Sucessões, com atuação focada na resolução estratégica e humanizada de conflitos familiares. Com abordagem interdisciplinar, integra o Direito à Psicanálise e à Solução de Conflitos, aliando técnica jurídica e inteligência emocional na condução de casos sensíveis, como divórcios, mediação e reorganização familiar. É criadora do conceito “Advocacia Beleza da Alma”, que propõe uma atuação jurídica mais consciente, baseada em escuta qualificada, responsabilidade emocional e decisões alinhadas à realidade de cada cliente. Seu trabalho é direcionado especialmente a mulheres em processos de ruptura e transição, oferecendo suporte jurídico estruturado para promover autonomia, clareza e segurança em momentos decisivos. Parte do princípio de que conflitos familiares não são apenas questões jurídicas, mas também emocionais e, por isso, devem ser conduzidos com estratégia, consciência e visão sistêmica. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
LUCIANA FARO GUIMARÃES
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