1 ano depois: como a Lei Geral do Esporte mudou o acesso aos estádios

Principal impacto aponta para aumento na presença de mulheres e crianças nas partidas

Por THIAGO BAEZ
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Desde 14 de junho de 2025, estádios de futebol com capacidade superior a 20 mil lugares passaram a ser obrigados, por lei, a adotar sistemas de reconhecimento facial como controle de acesso. Onze meses depois, os dados revelam um impacto que vai além da logística: os estádios brasileiros estão se tornando um espaço mais seguro e esse fator está mudando quem vai às partidas.
O indicador que mais chama atenção no período é o aumento expressivo da presença de mulheres e crianças nos estádios. Levantamento da Bepass, empresa especializada em reconhecimento facial para grandes eventos, aponta que, entre os sete clubes atendidos - Botafogo, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Santos -, o percentual médio de público feminino saltou de 17,5%, em 2023, antes da obrigatoriedade, para 23,1%, em 2025, um crescimento de 32%. No mesmo período, a presença de menores de 14 anos cresceu 26%, passando de 6% para 7,6%.
"Ver o crescimento do público feminino e de crianças nos estádios é o dado que mais nos orgulha nesse período. Mais família no estádio, mais segurança, fim do cambismo, e o torcedor entrando em cerca de 2 segundos, esse é o futebol que a tecnologia ajudou a construir ", afirma Ricardo Cadar, fundador da Bepass, que, desde 2022, conta com cerca de 18 milhões de acessos realizados em mais de 700 eventos atendidos.
Tecnologia que já é realidade em toda a Série A
Mesmo com prazo legal até junho de 2027 para regularização, todos os 20 clubes da Série A já adotaram o sistema. Somente a Bepass realizou mais de 190 partidas desde que a legislação entrou em vigor, consolidando o reconhecimento facial como solução eficaz para a gestão de acesso em grandes eventos.
A tecnologia também reduziu drasticamente o cambismo e a falsificação de ingressos. Como o acesso é pessoal e vinculado à biometria, apenas o titular cadastrado pode entrar, eliminando intermediários e fraudes. No Corinthians, por exemplo, segundo a diretoria de tecnologia do clube, antes da adoção da facial, ao menos 20 mil ingressos por jogo eram vendidos por cambistas, fazendo com que o clube deixa-se de arrecadar cerca de R$ 1 milhão por partida. Em relação ao Santos, estima-se que a medida gerou uma economia em R$ 1,2 milhões ao ano ao eliminar a emissão de carteirinhas físicas.
O efeito colateral positivo foi direto nos programas de sócio-torcedor. O Palmeiras viu um aumento expressivo de cerca de 30% no número de sócios-torcedores. "O número de sócios aumentou porque, com o fim dos cambistas, os torcedores precisam estar cadastrados no programa para comprar ingressos", afirma Cadar.
Além disso, a tecnologia colabora com o sistema Muralha Paulista parceria entre o Governo de São Paulo e os clubes, onde mais de 280 foragidos da Justiça já foram detidos em pouco mais de 100 partidas monitoradas, com mais de 2,1 milhões de torcedores fiscalizados pelo cruzamento automático com a base nacional. Foram registradas, ainda, mais de 130 notificações de descumprimento de medidas cautelares. As prisões abrangem desde inadimplência de pensão alimentícia até crimes de maior gravidade, como roubo e homicídio.  

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FONTE: https://bepass.com.br/