Empresas confundem ações de clima com gestão de risco na nova NR-1

Por IAGO AQUILA
7 5 Min

Empresas confundem ações de clima com gestão de risco na nova NR-1
 Guilherme Rossi, fundador da MeshMe

São Paulo, julho de 2026 - Com a fiscalização da NR-1 sobre riscos psicossociais em vigor desde 26 de maio de 2026, empresas passaram a buscar ações mais concretas de saúde mental, cultura e pertencimento no ambiente de trabalho. O movimento, porém, também abriu espaço para uma confusão recorrente entre iniciativas pontuais de clima e gestão efetiva de risco. A norma exige que fatores psicossociais sejam identificados no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e registrados no Programa de Gerenciamento de Riscos, com plano de ação e documentação. Nesse cenário, práticas coletivas como esporte corporativo podem apoiar engajamento e pertencimento, mas não substituem diagnóstico, governança e medidas formais de prevenção.

Para Guilherme Rossi, fundador da MeshMe e responsável pela operação do Corporate Games no Brasil, a pressão regulatória tem levado muitas empresas a procurarem respostas rápidas, mas nem toda ação de bem-estar representa conformidade com a norma. “O erro mais comum é imaginar que uma palestra, uma campanha interna ou uma ação esportiva pontual resolve o problema da NR-1. Essas iniciativas podem melhorar o clima e criar vínculos, mas a norma exige mapeamento, documentação e gestão dos riscos psicossociais. Esporte é uma alavanca de cultura, não um atalho de compliance”, afirma.

A urgência também é reforçada pelo avanço dos afastamentos e da judicialização. Segundo dados da Previdência Social, em 2025 foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, crescimento de 15,66% em relação a 2024, quando foram registrados 472.328 benefícios. Já o levantamento do escritório Trench Rossi Watanabe, realizado na plataforma Data Lawyer e divulgado em 2026, aponta que riscos psicossociais já aparecem em pouco mais de 5 mil processos na Justiça do Trabalho desde 2014, com valor total discutido de R$ 2,2 bilhões.

Na prática, o tema pressiona duas áreas ao mesmo tempo. O RH busca soluções capazes de melhorar o clima, reduzir o isolamento e fortalecer o pertencimento, enquanto o jurídico e a saúde ocupacional precisam garantir que a empresa consiga comprovar a identificação de riscos, o plano de ação, o acompanhamento e a documentação. Por isso, indicadores como absenteísmo, afastamentos, turnover, queixas recorrentes, sobrecarga, conflitos de liderança e denúncias internas passam a ser tão importantes quanto a adesão a campanhas ou eventos de engajamento. A Lei 14.831/2024, que criou o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, também reforça esse movimento ao reconhecer empresas que adotam ações e políticas voltadas à promoção da saúde mental e do bem-estar no trabalho.

Nesse contexto, o esporte coletivo pode ser uma ferramenta relevante para fortalecer relações, ampliar confiança entre equipes e transformar pertencimento em experiência prática, desde que integrado a uma estratégia mais ampla de gestão. Dados da BetterUp apontam que colaboradores com forte senso de pertencimento apresentam aumento de 56% no desempenho, redução de 50% no risco de turnover e queda de 75% nos dias de licença médica.

Para Rossi, a credibilidade do tema está justamente em não vender uma ação de cultura como solução normativa. “O esporte ajuda porque cria comunidade, aproxima pessoas e torna o pertencimento mais concreto no dia a dia da empresa. Mas ele precisa caminhar ao lado de diagnóstico, escuta, indicadores e plano de ação. A empresa que tratar pertencimento como parte da cultura e risco psicossocial como parte da governança estará mais preparada do que aquela que tenta resolver tudo com uma ação simbólica”, conclui.

Sobre a MeshMe

A MeshMe é uma startup brasileira de tecnologia para esporte, bem-estar e engajamento corporativo. A empresa desenvolve soluções para conectar organizações e colaboradores por meio de experiências esportivas, desafios, rankings, recompensas, dados e gestão digital de comunidades corporativas. Com atuação junto a grandes clientes e parceiros, como Visa, Mastercard, iFood e Accenture, a MeshMe aposta na combinação entre tecnologia e esporte para transformar ações de bem-estar em jornadas contínuas de engajamento.


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IAGO AQUILA MONTEIRO DE ALMEIDA
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