Crescimento da obesidade no Brasil acende alerta para desafios da saúde pública
Estudos apontam avanço de doenças crônicas e reforçam a importância da prevenção e da educação alimentar
A obesidade se tornou hoje o principal fator de risco para a saúde da população brasileira. O dado faz parte do Estudo Global sobre Carga de Doenças, desenvolvido por pesquisadores de diversos países e publicado na edição de maio da revista científica The Lancet Regional Health – Americas, uma das publicações mais prestigiadas do mundo na área da saúde.
O levantamento aponta que o avanço da obesidade está diretamente relacionado ao crescimento de outras doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e excesso de peso, comprometendo a qualidade de vida da população e ampliando os desafios da saúde pública no país.
Dados da pesquisa Vigitel 2025, divulgados pelo Ministério da Saúde em 2026, mostram que, entre 2006 e 2024, o número de brasileiros com obesidade cresceu 118%. No mesmo período, os casos de diabetes aumentaram 135%, enquanto o excesso de peso avançou 47% e a hipertensão teve crescimento de 31%.
Outro levantamento recente, divulgado pelo World Obesity Federation por meio do relatório World Obesity Atlas 2026, aponta que o Brasil registra quase o dobro de jovens com excesso de peso quando comparado à média global.
Em Santa Catarina, o cenário da saúde pública também enfrenta desafios críticos. Florianópolis lidera o ranking nacional entre as capitais no consumo de alimentos ultraprocessados, segundo estudo realizado em 2025 por cientistas do Nupens/USP. O levantamento revela que 30,5% das calorias consumidas na capital catarinense provêm de produtos ricos em aditivos como corantes, conservantes e espessantes, evidenciando uma dieta com alto teor de substâncias prejudiciais à saúde.
De acordo com levantamento realizado pelo jornal O Globo, o estado abriga uma das cidades com os piores índices do país: Planalto Alegre ocupa a 6ª posição no ranking nacional de obesidade, com 60,27% de sua população adulta sofrendo com a doença.
Para a nutricionista e professora da UniSociesc, Ivete Rempalski Suzuki Nishi, o cenário está diretamente ligado às mudanças no padrão alimentar da população.
“O Brasil vive uma epidemia de obesidade. Esse cenário está ligado ao aumento de alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas e baixo consumo de alimentos in natura”, afirma.
Segundo a especialista, o comportamento alimentar dos brasileiros mudou significativamente nas últimas décadas, favorecendo o aumento de doenças crônicas.
“A população consome muitos produtos ricos em sal, açúcar e gordura, o que aumenta a ingestão calórica. Somado a isso, temos a falta de atividades físicas, o estresse e o baixo consumo de alimentos ricos em nutrientes. Essas características contribuem para o crescimento vertiginoso da obesidade”, explica.
Além dos impactos físicos, a obesidade também afeta diretamente a saúde emocional e social, especialmente entre crianças e adolescentes. De acordo com a nutricionista, os jovens enfrentam consequências que vão além das questões metabólicas.
“Existem riscos psicossociais importantes, complicações nas relações familiares, além de casos de depressão e ansiedade”, destaca.
O debate sobre prevenção ganhou força nesta semana após a aprovação, pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, do Projeto de Lei 5591/25, que amplia as diretrizes de prevenção ao diabetes no Brasil. A proposta prevê campanhas permanentes de conscientização sobre controle da glicemia, além de incentivos ao diagnóstico precoce e ao tratamento de doenças associadas, como a obesidade.
Nesse contexto, Ivete reforça a importância do acompanhamento nutricional no enfrentamento das doenças crônicas. “O papel do nutricionista vai além de fazer dieta. O profissional atua na transformação do comportamento alimentar, ajusta porções, reduz excessos e considera a individualidade social e econômica de cada paciente”, ressalta.
Entre as principais recomendações para construir uma rotina mais saudável, a especialista destaca a adoção de hábitos simples no dia a dia. “É importante priorizar alimentos in natura, frutas, legumes e verduras, reduzir bebidas açucaradas, manter regularidade nas refeições, praticar atividade física regularmente e cuidar das emoções”, orienta.
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