Crédito para o turismo: um investimento no desenvolvimento regional
Quanto mais estruturado é um destino, maior tende a ser sua capacidade de gerar emprego, atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento regional.
Divulgação
Raphael Ayub* Poucas atividades econômicas distribuem renda de forma tão ampla quanto o turismo. Um único visitante movimenta hospedagem, gastronomia, transporte, comércio, atrativos, produtores locais e uma extensa rede de pequenos empreendedores. Quanto mais estruturado é um destino, maior tende a ser sua capacidade de gerar emprego, atrair investimentos e impulsionar o desenvolvimento regional.
Essa estrutura, porém, não surge espontaneamente. Ela depende de planejamento, infraestrutura, qualificação e, principalmente, investimento.
No setor turístico, investir significa ampliar um hotel, modernizar um parque, qualificar um restaurante, adquirir equipamentos, criar novas experiências e elevar o padrão dos serviços oferecidos aos visitantes. O acesso ao crédito, portanto, deixa de ser uma questão financeira e passa a ser um instrumento de política de desenvolvimento.
Foi com essa visão que o Governo do Rio Grande do Sul e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) lançaram o CrediTur RS, linha de financiamento destinada a empresas do setor turístico. São R$ 100 milhões disponíveis para empreendimentos cadastrados no Cadastur, com operações de até R$ 4 milhões, prazo de cinco anos para amortização e doze meses de carência. Nos primeiros 90 dias, os financiamentos priorizam projetos localizados no Pampa, Vale do Taquari, Costa Doce e Litoral Norte, chegando posteriormente às demais regiões turísticas do Estado.
O crédito produz um efeito que vai muito além da empresa que recebe os recursos. Quando um empreendimento amplia sua capacidade de atendimento, toda a cadeia econômica acompanha esse movimento. Novos investimentos geram empregos, fortalecem fornecedores, qualificam a oferta turística e aumentam a competitividade dos destinos. O resultado aparece no crescimento do fluxo de visitantes, no aumento do tempo de permanência e na circulação de renda dentro dos municípios.
Essa lógica é conhecida na economia como efeito multiplicador. O investimento inicial realizado por uma empresa alcança diversos outros segmentos, beneficiando profissionais, prestadores de serviços e negócios que dependem direta ou indiretamente da atividade turística.
Ao poder público cabe criar um ambiente favorável para que esse ciclo aconteça. Infraestrutura, promoção dos destinos, qualificação profissional e acesso ao crédito formam um conjunto de políticas complementares. Nenhuma delas, isoladamente, transforma um destino turístico. Em conjunto, criam condições para que a iniciativa privada invista com mais segurança e capacidade de crescimento.
O Rio Grande do Sul vem consolidando uma trajetória positiva no turismo, registrando crescimento acima da média nacional e ampliando sua presença entre os principais destinos brasileiros. Sustentar esse desempenho exige planejamento de longo prazo e instrumentos permanentes de incentivo ao investimento.
O turismo acontece nas empresas que recebem visitantes todos os dias. Facilitar o acesso ao crédito significa oferecer condições para que esses empreendimentos cresçam, inovem e elevem a qualidade da experiência turística. Quando isso acontece, os benefícios alcançam toda a economia regional, fortalecem os municípios e consolidam o turismo como uma estratégia consistente de desenvolvimento.
*Raphael Ayub é Secretário de Turismo do Rio Grande do Sul. Advogado, empresário, investidor e conselheiro de empresas e instituições financeiras. Em Capão da Canoa, esteve à frente da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico e da Secretaria de Gestão, Inovação e Planejamento. Recentemente, no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), foi assessor superior da Presidência e também da Diretoria de Operações Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
CAIO FERREIRA PRATES
[email protected]