Parque do Caracol: quatro anos de uma concessão que transformou o turismo gaúcho
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Raphael Ayub* Há quatro anos, em 11 de agosto de 2022, a batida do martelo na B3 marcou um momento importante para o turismo do Rio Grande do Sul. A concessão do Parque do Caracol, um dos principais cartões-postais da Serra Gaúcha, alcançou uma outorga de R$ 150 milhões, com ágio de 5.341% sobre o valor mínimo estabelecido no edital. Um resultado expressivo não apenas pelo tamanho dos números, mas pelo que representa em termos de valorização econômica do turismo e de capacidade de mobilizar investimento privado.
Esse é um aspecto central quando falamos em concessões. Conceder não significa abrir mão do patrimônio público. Significa estabelecer uma divisão de responsabilidades na qual o Estado define regras, preserva o interesse público e fiscaliza o contrato, enquanto a iniciativa privada aporta investimento, capacidade de gestão e eficiência operacional. Em um equipamento turístico da dimensão do Parque do Caracol, essa combinação permite qualificar infraestrutura, serviços e experiências oferecidas aos visitantes, tendo a preservação ambiental como elemento indispensável.
Os efeitos desse modelo, porém, ultrapassam os limites do próprio parque. Dos R$ 150 milhões arrecadados com a outorga, R$ 121,5 milhões foram destinados ao Fundo de Desenvolvimento do Turismo do Rio Grande do Sul (Fundetur), enquanto outros R$ 28,5 milhões foram direcionados ao Fundo Estadual do Meio Ambiente. Na prática, um ativo turístico consolidado passou também a gerar capacidade financeira para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor.
E esse efeito permanece ao longo do tempo. Os recursos destinados ao Fundetur seguem sendo utilizados para viabilizar ações da Secretaria de Turismo e investimentos voltados ao desenvolvimento do setor no Estado. Isso significa que parte do valor gerado pela concessão do Caracol continua retornando ao turismo gaúcho, apoiando iniciativas que alcançam diferentes destinos e regiões.
Essa é uma das dimensões mais relevantes do caso do Caracol. O turismo precisa de promoção, qualificação, infraestrutura e destinos estruturados, mas também exige capacidade permanente de investimento. Quando recursos gerados pela própria atividade retornam ao setor por meio do Fundetur, cria-se um ciclo capaz de apoiar o desenvolvimento de novos destinos, produtos e experiências em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
Parcerias entre poder público e iniciativa privada não são uma solução automática. Exigem boa modelagem, segurança jurídica, contratos consistentes, fiscalização e equilíbrio entre interesse público e viabilidade econômica. Quando bem estruturadas, porém, permitem mobilizar capital privado, ampliar investimentos e qualificar serviços, ao mesmo tempo em que fortalecem a capacidade de atuação do Estado.
Quatro anos depois daquela batida de martelo na B3, o Caracol deixa uma reflexão que permanece atual: desenvolver o turismo exige planejamento público e capacidade de atrair investimento privado. Mais do que um modelo de gestão para um parque, sua concessão mostrou como um grande ativo turístico pode qualificar a experiência do visitante e, ao mesmo tempo, gerar recursos para fortalecer o desenvolvimento do turismo em todo o Rio Grande do Sul.
*Raphael Ayub é Secretário de Turismo do Rio Grande do Sul. Advogado, empresário, investidor e conselheiro de empresas e instituições financeiras. Em Capão da Canoa, esteve à frente da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico e da Secretaria de Gestão, Inovação e Planejamento. Recentemente, no Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), foi assessor superior da Presidência e também da Diretoria de Operações. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
CAIO FERREIRA PRATES
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