‘Idiota Convicto’, monólogo inédito de Hugo Possolo, segue em cartaz até 29 de agosto

Temporada de estreia do espetáculo celebra os 45 anos de carreira do palhaço; sessões acontecem aos sábados, às 22h, no Espaço Parlapatões

Por FERNANDA MARTINS - BENU COMUNICAçãO
3 7 Min

Luiz Doroneto

O palhaço, ator e diretor Hugo Possolo comemora seus 45 anos de carreira com o espetáculo solo inédito “Idiota Convicto”. A temporada de estreia segue em cartaz até o dia 29 de agosto, aos sábados, às 22h, no Espaço Parlapatões, em São Paulo. Com textos exclusivos de Luís Alberto de Abreu, Ana Saggese, Maíra Dvorek, Michelle Ferreira e Sérgio Roveri, o parlapatão interpreta diferentes personagens e debocha da normalização crescente da mediocridade, que vem tornando a sociedade cada vez mais embrutecida.

Possolo, 63 anos, iniciou sua carreira em teatro profissional ainda na adolescência, em 1981. Com mais de 100 peças encenadas, ele segue voltado à pesquisa de teatro popular, comicidade e artes circenses para levar ao público um trabalho artístico divertido e que gere reflexões. 

Em 1991, o palhaço fundou os Parlapatões, que neste ano celebra 35 anos de trajetória, com 71 espetáculos produzidos. O grupo tem como característica a palhaçaria, o teatro de rua e popular, sempre buscando inovar a linguagem e ampliar o alcance de público. Já o Espaço Parlapatões, na Praça Franklin Roosevelt, no Consolação, comemora também 20 anos de atividades. 

Em sua trajetória multifacetada, Possolo escreveu diversos textos infantis, dirigiu óperas, atuou em televisão e cinema, colaborou para jornais e revistas, foi gestor público e curador de concertos, balés e espetáculos das mais variadas linguagens. É um dos fundadores da SP Escola de Teatro.

“Idiota Convicto” é o terceiro espetáculo solo do ator, que realizou “Prego na Testa” (2005, indicado ao Prêmio Shell de melhor ator), com texto de Eric Bogosian e direção de Aimar Labaki, com enorme sucesso e que seguiu no repertório do grupo por 20 anos; e “Eu Cão Eu”, do próprio Possolo (2012, indicado ao Prêmio Shell de melhor texto) com direção de Rodolfo García Vázquez.

Os textos independentes foram escritos especialmente para a celebração dos 45 anos de carreira como um presente para Possolo, que também contribuiu com textos e roteirização. A narrativa da memória de um ator preso em casa passeia por diversos quadros e temas. 

Luís Alberto de Abreu, que foi mestre de Possolo na dramaturgia, traz a situação insólita de um homem que encontra uma argola viva no meio da calçada, até entender que era uma pessoa que virou do avesso. Michelle Ferreira fala de um professor de cinema que, com sua arrogância diante dos alunos, trata a sua própria vida como um roteiro. Ana Saggese e Maíra Dvorek apresentam Deus no comando de tudo, tomando atitudes descontroladas e autoritárias. Sérgio Roveri mostra um pai que não aceita que o filho possa sonhar e ser feliz. 

 

Reflexões

“Idiota Convicto” nasce das inquietações de Possolo querendo abordar o fato de que a sociedade contemporânea está cada vez “mais intolerante, tensa e agressiva”. Nesta reflexão, ele leva em conta que diversos fatores históricos mundiais são significativos para isso.

“O advento das redes sociais e os comportamentos dela derivados; a volta e violência do fascismo e dos grupos de extrema direita, o militarismo a máfia miliciana; as guerras que ameaçam uma Terceira Guerra Mundial, com possibilidade de utilização de bombas atômicas; o aquecimento global e a destruição do planeta por interesses econômicos e, por fim, o desprezo às Ciências e às Artes, gerando incompreensíveis elogios à ignorância”, reflete Possolo.

Como tratar desses assuntos com comicidade? “No fundo, os desafios do humor estão em saber questionar os temas contemporâneos sem querer definir para o público quais são as soluções. Até mesmo porque não as temos”, completa o ator.

Assim, Possolo procurou uma dramaturgia que definisse uma persona múltipla, que se mostra o idiota absoluto do título, totalmente convicto de que está sempre certo. Esse idiota, a persona central, é um ator que não consegue sair de seu apartamento, porque perdeu as chaves. Preocupado com sua memória, ele repassa o que fez antes, para tentar lembrar onde deixou a chave. 

Porém, seu esforço traz lembranças de outros fatos que o fazem reviver suas várias personagens, do passado e do presente. Os protagonistas que revive, enquanto tenta sair de casa, são um pouco dele mesmo e um pouco da visão que teve sobre essas personagens que representou um dia.

Essas diversas pessoas e situações, a partir do momento em que ele se ridiculariza, chegam ao público igualmente idiotas. Possolo define a peça como “mais uma provocação parlapatônica, sem julgamentos condenatórios aos idiotas, até porque sou um. Quero deixar ao público as reflexões de como e porque nos tornamos assim, tão tolos e tão convictos de nosso destino errático e sem sentido”, diz o ator.

SERVIÇO

‘Idiota Convicto’, Hugo Possolo e Parlapatões 

Data: 15, 22 e 29 de agosto - aos sábados

Horário: 22 horas

Local: Espaço Parlapatões - Praça Franklin Roosevelt, 158 - Consolação - São Paulo/SP

Capacidade: 96 lugares

Duração: 70 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Ingressos: R$ 70 (inteira), R$ 35 (meia); vendidos pelo Sympla: https://bileto.sympla.com.br/event/122863

Mais informações: @parlapatoes / https://parlapatoes.com.br / @hugopossolo

 

FICHA TÉCNICA - ‘IDIOTA CONVICTO’

Textos: Ana Saggese, Luís Alberto de Abreu, Hugo Possolo, Maíra Dvorek, Michelle Ferreira e Sérgio Roveri.

Roteiro, direção, atuação, assistência de direção, cenário, figurino, assistência de limpeza, limpeza, iluminação, insistências, confusões, dívidas e dúvidas, paciência, paixão e algumas outras funções não menos importantes: Hugo Possolo

Sonoplastia e operação de som: Deivison Nunes

Locução (Voz Bíblica): Tadeu Pinheiro 

Adereços: Agentemesmoqueimandodedonacolaquente

Operação de iluminação: Walmerio e OBarros

Fotos: Luiz Doroneto

Vídeos: Deivison Nunes

Designer Gráfico: Werner Schulz

Redes e Comunicação Social: A Outra

Assessoria de Imprensa: Fernanda Martins/Benu Comunicação

Produção Executiva: Manoela Flor

Gestão de Projetos: Cristiani Zonzini

Produção Espaço Parlapatões: Wira Bortoli

Assistência de Produção Espaço Parlapatões: Sofia Falastro

Realização: Parlapatões e Nada de Novo Produções Artísticas


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FONTE: Assessoria de Imprensa