Agosto Dourado: retorno ao trabalho ainda é desafio para mães que desejam manter a amamentação
Iafas promove palestra gratuita nesta quarta-feira (12) para orientar trabalhadoras sobre aleitamento materno, rede de apoio e conciliação entre maternidade e vida profissional
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Recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como alimentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida, a amamentação ainda enfrenta obstáculos para muitas mães brasileiras. Dados do Ministério da Saúde apontam que 45,8% das crianças com menos de seis meses são alimentadas exclusivamente com leite materno. O percentual está abaixo da meta global estabelecida pela OMS, que prevê chegar a 70% até 2030. Entre os fatores que dificultam a continuidade do aleitamento está o retorno ao trabalho, que frequentemente acontece enquanto o bebê ainda está na fase de amamentação exclusiva. No Brasil, a licença-maternidade padrão é de 120 dias, período que pode ser menor do que o necessário para muitas mulheres que desejam seguir a recomendação de amamentar exclusivamente até os seis meses. Levantamento do Ministério da Saúde mostra ainda que cerca de 34% das mães com filhos de até um ano que estavam empregadas já haviam interrompido a amamentação. Informação e apoio fazem diferença A enfermeira do trabalho do Instituto de Apoio aos Funcionários Ativos do Setor de Terceirização de Mão de Obra (Iafas), Geise Rodrigues, explica que o leite materno fornece nutrientes, anticorpos e outros fatores de proteção importantes para o bebê. Entre os benefícios associados ao aleitamento estão a proteção contra diarreias e infecções respiratórias, a contribuição para o crescimento e desenvolvimento e a redução do risco de algumas doenças infecciosas. “O ideal é o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses, sem a oferta de água, chás, sucos ou outros alimentos. Depois desse período, a orientação é iniciar a alimentação complementar adequada e segura, mantendo a amamentação até os dois anos ou mais”, esclarece Geise. No entanto, a especialista destaca que o processo pode ser marcado por dificuldades, especialmente nos primeiros dias. Dor, fissuras, dificuldade de pega, sensação de produção insuficiente de leite, ingurgitamento das mamas, cansaço e insegurança estão entre as situações que podem levar a mãe a buscar ajuda. “A mãe não precisa esperar a situação ficar difícil para procurar ajuda. UBS, maternidades, bancos de leite humano e profissionais capacitados podem orientar sobre posição, pega, livre demanda e outras questões relacionadas à amamentação. Buscar apoio não significa que algo deu errado, mas que a mulher está cuidando de si e do bebê”, explica. Amamentação e trabalho A advogada Juliana Mara Sousa Coelho lembra que o fim da licença-maternidade foi marcado por uma mistura de ansiedade e vulnerabilidade. Mãe de duas meninas, ela conta que, à medida que a data do retorno ao trabalho se aproximava, passou a refletir sobre como conseguiria conciliar a carreira com a maternidade. “No último mês da licença, a ansiedade tomou conta e me senti muito vulnerável. A ficha de que, em poucos dias, a rotina de trabalho voltaria e eu precisaria deixar minha filha aos cuidados de outra pessoa me colocou em um momento de profunda reflexão sobre minha vida profissional”, relata. Juliana conta que desejava manter a amamentação exclusiva, mas percebeu que a rotina profissional impôs desafios maiores do que imaginava. Antes mesmo de voltar ao trabalho, buscou orientação especializada para encontrar a melhor forma de conduzir essa nova fase. “Tentei retirar e armazenar o leite para que ela consumisse durante o dia, mas a mudança na rotina aumentou demais a minha produção. Acabei com leite empedrado, febre e muito mal-estar, o que deixou claro como a exigência do dia a dia profissional era incompatível com a amamentação exclusiva.” Com a introdução da fórmula, o desmame aconteceu de forma natural. Para ela, o maior desafio não foi apenas adaptar a rotina, mas lidar com a culpa de sentir que não conseguia estar plenamente presente em nenhuma das duas funções. Juliana afirma que o apoio da família foi essencial para atravessar esse período, mas acredita que as empresas também têm um papel importante nesse processo. “A impressão constante era de que eu não conseguia me entregar 100% a nenhuma das duas funções: nem ser a mãe presente que eu queria ser, nem a profissional focada que sempre fui.” Ela defende que uma transição mais gradual, com flexibilidade e acolhimento, faz diferença para que as mães consigam conciliar o retorno ao trabalho com a continuidade da amamentação. Assim como Juliana, muitas mulheres enfrentam esse momento delicado no retorno ao trabalho. A distância do bebê, a rotina profissional e a falta de estrutura adequada podem dificultar a manutenção do aleitamento. Segundo Geise, o planejamento familiar pode ajudar nesse processo. A mulher pode conversar previamente com profissionais de saúde sobre a ordenha e o armazenamento do leite materno e, quando estiver longe do bebê, realizar a extração nos horários necessários para contribuir com a manutenção da produção. “É importante que a mulher conheça os direitos disponíveis e se prepare para esse momento, mas também precisamos entender que essa responsabilidade não pode ficar somente sobre ela. O ambiente de trabalho tem um papel importante na criação de condições que favoreçam a continuidade do aleitamento”, afirma a enfermeira do Iafas. Nesse sentido, o apoio também deve partir da família e da sociedade. Dividir tarefas domésticas, oferecer suporte emocional e evitar cobranças são atitudes que podem contribuir para que a mulher atravesse esse período com mais segurança. Para os empregadores, a orientação é respeitar os direitos das trabalhadoras e favorecer condições que permitam a continuidade da amamentação. Combate à desinformação Outro desafio apontado pela enfermeira do trabalho é a circulação de mitos relacionados ao aleitamento. Um dos mais comuns é a ideia de que o “leite é fraco” e não seria suficiente para alimentar o bebê. Na maioria das situações, porém, o leite materno é adequado às necessidades da criança e, nos primeiros seis meses, fornece os nutrientes e a hidratação necessários. Para Geise, campanhas como o Agosto Dourado são importantes justamente por ampliarem o acesso à informação e estimularem uma mudança de olhar sobre a amamentação. “O Agosto Dourado precisa ser mais do que uma campanha de um mês. É uma oportunidade para fortalecer, durante todo o ano, políticas e práticas que apoiem as mulheres desde a gestação, no pós-parto e também no retorno ao trabalho”, ressalta. Pensando nisso, o Iafas promove nesta quarta-feira (12) palestra gratuita para discutir o tema também e ampliar a conscientização sobre a importância de ambientes de trabalho que ofereçam condições para que as mulheres possam conciliar o aleitamento com a rotina profissional. O evento será realizado às 9 horas, na sede do SEAC/SINDESP, na Rua dos Bombeiros, número 128, Parque Amazônia, e é aberto ao público. A palestra será conduzida pela enfermeira do trabalho do Iafas, Geise Rodrigues, e vai abordar os benefícios da amamentação para mães e bebês, os principais desafios enfrentados no início do aleitamento, os cuidados necessários para a ordenha e armazenamento do leite e a importância da rede de apoio. “Amamentar não é uma responsabilidade que deve ser colocada somente sobre a mãe. É uma questão que envolve informação, apoio familiar, assistência adequada e também condições sociais e de trabalho. Quando a mulher retorna ao trabalho, é fundamental que encontre um ambiente que respeite seus direitos e ofereça condições para que ela possa manter a lactação”, destaca Geise. Sobre o Iafas O Iafas é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 2017, com o propósito de conectar trabalhadores e empresas em busca de mão de obra qualificada. O instituto, que atua como intermediário entre trabalhadores e empregadores, cadastrando currículos para vagas de emprego nos segmentos de limpeza, conservação e de segurança privada em Goiás que estão com déficit de profissionais, oferece também benefícios como cestas básicas para alunos que concluírem os treinamentos, além de contar com uma farmácia própria com preços acessíveis para trabalhadores e seus familiares, distribuição de material escolar, dentre outros benefícios. Serviço Palestra Agosto Dourado – Iafas
Data: quarta-feira (12)
Horário: 9 às 11 horas
Local: sede do SEAC/SINDESP
Endereço: Rua dos Bombeiros, nº 128, Quadra 248, Parque Amazônia
Inscrições gratuitas: WhatsApp (62) 3988-3400; pelo site www.iafas.org.br ou e-mail [email protected] Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
CAROLINA OLIVEIRA DE ASSIS
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