Infarto pode se manifestar de formas diferentes em homens e mulheres

Embora dor no peito seja o principal sintoma em ambos os sexos, mulheres podem apresentar manifestações menos típicas, o que pode atrasar o diagnóstico

Por TABATA VIAPIANA
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Agosto de 2026 – O infarto agudo do miocárdio permanece entre as principais causas de morte no mundo¹. O reconhecimento rápido dos sintomas e o atendimento imediato são determinantes para aumentar as chances de sobrevivência e reduzir o risco de complicações. No entanto, estudos apontam que homens e mulheres nem sempre apresentam um infarto da mesma forma, o que pode contribuir para atrasos na procura por assistência médica, especialmente entre as mulheres2,3.
Embora a dor ou pressão intensa no centro do peito continue sendo o sintoma mais importante em ambos os sexos, estudos mostram que mulheres apresentam, com maior frequência, manifestações consideradas menos típicas, como falta de ar, náuseas, vômitos, fadiga intensa, suor frio, tontura, dor nas costas, nos ombros, no pescoço ou na mandíbula. Em muitos casos, esses sintomas podem ocorrer com pouca ou nenhuma dor torácica, dificultando o reconhecimento do quadro2,3.
"É importante desfazer a ideia de que as mulheres não sentem dor no peito durante um infarto. Elas também podem apresentar o sintoma, que continua sendo o mais comum. A diferença é que elas também têm probabilidade maior de manifestar sintomas adicionais ou menos específicos, o que pode levar tanto a própria paciente quanto os profissionais de saúde a atribuírem o quadro a outras causas", explica o cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM: 46977 SP/RQE: 132337), médico consultor da Libbs.
Diversos fatores contribuem para as diferenças observadas entre homens e mulheres, incluindo aspectos biológicos, hormonais e diferenças na apresentação da doença arterial coronariana². Além disso, pesquisas indicam que as mulheres costumam procurar atendimento mais tardiamente após o início dos sintomas, o que pode comprometer o tempo até o diagnóstico e o início do tratamento³,⁴.
"O maior risco não está apenas na apresentação dos sintomas, mas no atraso para reconhecer que se trata de uma emergência médica. Qualquer dor ou desconforto persistente no peito, especialmente quando associado à falta de ar, suor intenso, náuseas ou mal-estar importante, deve motivar a procura imediata por atendimento médico de urgência", afirma Dr. Jairo.
Embora a doença cardiovascular costume se manifestar mais precocemente na população masculina, ela representa uma das principais causas de morte entre as mulheres, especialmente após a menopausa, quando ocorre redução do efeito protetor dos hormônios estrogênicos⁵.
A prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir a ocorrência de eventos cardiovasculares. Controle da pressão arterial, tratamento do diabetes e do colesterol elevado, abandono do tabagismo, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e manutenção do peso corporal estão entre as medidas recomendadas¹,6.
"As doenças cardiovasculares ainda costumam ser percebidas como um problema predominantemente masculino, mas isso não corresponde à realidade. Mulheres também apresentam risco elevado, sobretudo na presença de fatores como hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e histórico familiar. Conhecer os sintomas e procurar atendimento rapidamente pode fazer diferença no prognóstico", diz Dr. Jairo.
Referências
1. Byrne RA, Rossello X, Coughlan JJ, Barbato E, Berry C, Chieffo A, et al. 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes. Eur Heart J. 2023;44(38):3720-3826.
2. Vogel B, Acevedo M, Appelman Y, Bairey Merz CN, Chieffo A, Figtree GA, et al. The Lancet women and cardiovascular disease Commission: reducing the global burden by 2030. Lancet. 2021;397(10292):2385-2438.
3. Mehta LS, Beckie TM, DeVon HA, Grines CL, Krumholz HM, Johnson MN, et al. Acute myocardial infarction in women: a scientific statement from the American Heart Association. Circulation. 2016;133(9):916-947.
4. Lichtman JH, Leifheit EC, Safdar B, Bao H, Krumholz HM, Lorenze NP, et al. Sex Differences in the Presentation and Perception of Symptoms Among Young Patients With Myocardial Infarction: Evidence from the VIRGO Study (Variation in Recovery: Role of Gender on Outcomes of Young AMI Patients). Circulation. 2018;137(8):781-790.
5. Iorga A, Cunningham CM, Moazeni S, Ruffenach G, Umar S, Eghbali M. The protective role of estrogen and estrogen receptors in cardiovascular disease and the controversial use of estrogen therapy. Biol Sex Differ. 2017;8(1):33.
6. Arnett DK, Blumenthal RS, Albert MA, Buroker AB, Goldberger ZD, Hahn EJ, et al. 2019 ACC/AHA Guideline on the Primary Prevention of Cardiovascular Disease: A Report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2019 Sep 10;140(11):e596-e646.
Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado.


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FONTE: Imprensa Libbs