Em meio aos avanços dos medicamentos para emagrecimento, cresce também o reconhecimento de que a Cirurgia bariátrica, quando bem indicada e acompanhada, permanece como a estratégia de maior eficácia para perda de peso significativa e duradoura em pacientes com obesidade moderada a grave. “A cirurgia ainda faz aquilo que os remédios não conseguem: ganhos metabólicos profundos, mudança fisiológica real, não apenas controle de apetite”, afirma o Dr. Mauro Jácome, gastroenterologista e diretor da Clínica Cronos.
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica, multifatorial, que acarreta riscos elevados de diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono e outras comorbidades. As estratégias de tratamento incluem intervenção no estilo de vida (dieta, exercício), medicamentos (como agonistas de receptor de GLP-1) e intervenções cirúrgicas ou metabólicas. Além disso,estudos recentes apontam que a cirurgia bariátrica oferece perdas de peso muito superiores às obtidas com apenas medicamentos. Diversos estudos recentes reafirmam que a cirurgia bariátrica representa o método mais eficaz para perda de peso significativa em pessoas com obesidade. Por exemplo, uma meta-análise publicada no BMJ, que incluiu 11 ensaios clínicos randomizados com 796 participantes, mostrou que indivíduos submetidos à cirurgia perderam em média 26 kg a mais do que aqueles que receberam tratamento não cirúrgico (IC95%: -31 a -21 kg).
“Na cirurgia bariátrica há não só uma restrição alimentar, mas mudanças hormonais, metabólicas e anatômicas que promovem saciedade, menor absorção e alteração real do eixo intestino-cérebro. Essas alterações permitem que o paciente atinja resultados que os tratamentos apenas com fármacos raramente alcançam ou mantêm”, explica.
Outro ponto importante é que a manutenção da perda de peso após cirurgia tende a ser mais estável do que nos casos de medicação, onde o reganho é comum caso o tratamento seja interrompido.“Os medicamentos têm o seu papel, mas vemos muitos pacientes que ao parar a droga recuperam peso com a cirurgia, temos muito mais chance de condensar o resultado com estilo de vida e acompanhamento”, completa o médico.
Logo,o tratamento medicamentoso é usado em pacientes com obesidade leve ou moderada, ou em combinação com outras intervenções. Já a cirurgia se posiciona como método preferencial em casos de obesidade moderada a grave (IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades ou ≥ 40 kg/m²) , quando as outras estratégias não foram suficientes. Os medicamentos são para pacientes com sobrepeso ou obesidade moderada, quando o paciente tem perfil para cirurgia, adiar essa indicação pode significar prolongar riscos desnecessários. Por isso é necessário individualização da decisão, equipe multidisciplinar, acompanhamento antes e depois da cirurgia”, reforça.
Há também opções menos invasivas. “Há opções menos invasivas como o balão intragástrico e a gastroplastia endoscópica além das medicações e que servem para índices menores de obesidade e sobrepeso ou para o paciente com obesidade mórbida que não quer a cirurgia Bariátrica”, exemplifica Mauro Jácome.
Dessa forma, a cirurgia bariátrica reafirma-se como o tratamento mais eficaz e duradouro para a obesidade severa. Embora os novos medicamentos representem um avanço importante, a intervenção cirúrgica continua sendo o método que mais oferece resultados consistentes em perda de peso, controle metabólico e qualidade de vida.“Os medicamentos são aliados valiosos, mas a cirurgia, quando bem indicada, tem o poder de transformar vidas de forma definitiva. Ela não deve ser vista como último recurso, e sim como uma ferramenta segura, eficaz e acessível quando há acompanhamento adequado”, finaliza.
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ICARO ALISSON ROSA AMBROSIO
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