Xangri-Lá, a cidade do RS que continua vendendo imóveis ‘que nem água’, mesmo com a alta da Selic

Ampliação das formas alternativas de pagamento tem se tornado uma “segunda via” frente ao tradicional, porém atualmente caro, financiamento imobiliário.

Por CRISTINA MARQUES
3 3 Min

Xangri-Lá, a cidade do RS que continua vendendo imóveis ‘que nem água’, mesmo com a alta da Selic
Divulgação
Enquanto boa parte do Brasil sente os efeitos da elevação da taxa básica de juros (Selic), que tende a encarecer o crédito e desestimular o consumo, quando o assunto é a comercialização de imóveis, a cidade de Xangri-Lá, no Rio Grande do Sul, parece seguir na contramão da lógica econômica.

“O movimento de vendas segue muito forte e em uma crescente considerável”, afirma o especialista em negociações imobiliárias de alto padrão e luxo em Xangri-Lá, Fabiano Braga. De acordo com ele, o volume de negócios na cidade tem crescido de forma constante nos últimos anos e pode ser equiparado, inclusive, a outros grandes polos do Sul do país, que também permanecem aquecidos, como cidades no litoral catarinense.


Dentre os vários motivos que têm contribuído para a crescente e acelerada quantidade de negociações de imóveis na região, um deles tem se destacado: a ampliação das possibilidades alternativas de pagamento. Medidas como o parcelamento direto com o proprietário, por exemplo, vêm fazendo com que essa forma de pagamento se torne uma “segunda via” para que o mercado imobiliário continue aquecido e atraindo novos investidores.

“Essa prática, que é bastante comum, permite que o cenário econômico de Selic elevada não seja determinante para a compra de imóveis aqui na região, principalmente quando a propriedade que está sendo negociada é de alto padrão e luxo”, afirma o corretor imobiliário.

Para ele, ainda que investidores e compradores demonstrem alguma preocupação com a alta dos juros, o impacto prático ainda tem sido limitado. Segundo o especialista, a alta da Selic não alterou o perfil dos compradores nem o tipo de investimento feito em Xangri-Lá. No entanto, o que tem mudado é justamente a forma de pagamento.

Ele ressalta que mais da metade das vendas realizadas em sua imobiliária são feitas por meio de parcelamento direto. “Boa parte dos compradores de Xangri-Lá optam por esse modelo de negociação”, afirma.
Para se ter uma ideia, só em 2025, segundo a arrecadação do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), o Valor Geral de Vendas (VGV) movimentado na cidade que é conhecida como a ‘Capital dos Condomínios’ alcançou R$ 1 bilhão.

E de onde vêm esses investidores?

De acordo com o corretor de imóveis, grande parte dos investidores que têm injetado dinheiro nos últimos anos com a compra de imóveis em Xangri-Lá são do próprio Estado gaúcho. “Os super ricos do Rio Grande do Sul estão cada vez mais optando por ficar 'em casa', ou seja, escolhendo o litoral do seu estado”, conclui Fabiano Braga.
 

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KEITY CRISTINA MARQUES DA SILVA
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