Avaliação Imobiliária: Por Que Tantos Corretores Ainda Têm Medo de Cobrar Pelo Seu Trabalho Técnico?
Especialista em avaliação imobiliária, referência no Brasil, Francieli Gouveia, alerta: confundir "visita de captação" com trabalho técnico compromete a credibilidade da profissão e desvaloriza honorários
Na imagem Francieli Gouveia, imagem concedida pela entrevistada para fins jornalísticos
Por Redação | Curitiba, novembro de 2025
Francieli Gouveia, especialista em avaliação imobiliária e proprietária da Bella's Bacacheri, observa diariamente um fenômeno que prejudica a profissionalização do setor: corretores que não conseguem cobrar pelos serviços de avaliação por medo de perder negócios. "Muitos profissionais ainda confundem uma visita gratuita de captação com um trabalho técnico que demanda responsabilidade, conhecimento e tempo", explica.
O Dilema do Corretor: Quando a Cortesia Vira Desvalorização
No mercado imobiliário brasileiro de 2025, os honorários profissionais ganharam parâmetros mais claros. Segundo as sugestões do Sistema COFECI-CRECI, a hora técnica básica para avaliações é de R$ 530,00, com um honorário mínimo sugerido de R$ 3.180,00 para um Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica (PTAM). Enquanto isso, muitos corretores seguem oferecendo avaliações "gratuitas" sem compreender o impacto dessa prática. "Existe uma diferença fundamental que precisa ser esclarecida", pontua Francieli. "A visita de captação é uma cortesia comercial, onde o corretor vai ao imóvel para conhecê-lo e conquistar o negócio. Já a avaliação técnica é um serviço profissional que envolve pesquisa de mercado, análise comparativa, cálculos precisos e, principalmente, responsabilidade pelo valor apresentado."
Avaliação Gratuita x Avaliação Técnica: Entenda as Diferenças
Visita de Captação (Cortesia Comercial):
- Objetivo comercial de conquistar o cliente
- Opinião informal ou formal sobre o valor (depende da prática do corretor)
- Sem responsabilidade técnica
- Rápida e comercial
- Parte da estratégia de vendas
Avaliação Técnica Profissional:
- Análise mercadológica fundamentada.
- Pesquisa de imóveis comparáveis.
- Metodologia descrita e explicada no laudo/técnica utilizada.
- Responsabilidade jurídica e profissional.
- Documento formal (PTAM ou Laudo Técnico).
- Honorários definidos conforme a carga horária utilizada e o grau de dificuldade do trabalho (seja para avaliação judicial ou extrajudicial).
O Preço da Desvalorização
Dados do mercado imobiliário revelam uma realidade preocupante. Enquanto instituições financeiras pagam entre R$ 500 e R$ 1.500 por avaliações bancárias, muitos corretores trabalham por valores irrisórios ou gratuitamente. Uma pesquisa informal no setor mostra que alguns profissionais recebem apenas R$ 80,00 por vistorias que deveriam ser remuneradas adequadamente. A ausência de um conselho que regulamente a tabela faz com que o mercado pratique o que convém para cada corretor, o que é péssimo para o setor. "Quando o corretor não precifica seu trabalho técnico, ele prejudica não apenas a si mesmo, mas toda a categoria", alerta Francieli. "Isso cria uma distorção no mercado e alimenta a percepção de que avaliação não tem valor."
Como Justificar o Valor da Avaliação
Para Francieli, criadora do método A.S.V.A (Avaliação Sistemática de Valor de Ativos), a chave está em comunicar claramente ao cliente o que está incluído no serviço: - Tempo de Trabalho: Uma avaliação técnica adequada demanda de 8 a 10 horas de trabalho: deslocamento, vistoria, fotografias, pesquisa de mercado, análise de dados e elaboração do documento.
- Conhecimento Especializado: O corretor avaliador investe em cursos, certificações e atualização constante para estar apto a emitir pareceres técnicos.
- Responsabilidade Profissional: O profissional assume responsabilidade legal pelo valor apresentado, podendo responder tecnicamente pelo parecer.
- Documentação Formal: A entrega de um Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica (PTAM) com validade jurídica e metodologia fundamentada.
O Impacto na Credibilidade Profissional
"Clientes que buscam seriedade estão dispostos a pagar por um trabalho bem feito", ressalta a especialista. "O problema é que muitos corretores subestimam o valor do próprio conhecimento. Eles estudaram, se capacitaram, mas na hora de cobrar, recuam com medo de perder o negócio." Segundo Francieli, essa postura tem consequências diretas: - Perda de autoridade técnica: O profissional não é visto como especialista
- Desvalorização da categoria: Cria-se uma cultura de gratuidade
- Concorrência desleal: Profissionais sérios perdem espaço
- Baixa rentabilidade: Redução significativa nos ganhos mensais
Tabelas Referenciais: O Que Dizem os Órgãos de Classe
O Sistema COFECI-CRECI sugere que os honorários sejam calculados com base na Hora Técnica para refletir a complexidade e a responsabilidade do trabalho. A referência para a Hora Técnica é de R$ 530,00, com um Honorário Mínimo Sugerido de R$ 3.180,00 para a emissão de um parecer técnico. Em um trabalho que exige 8 horas de dedicação, por exemplo, a remuneração partiria de R$ 4.240,00 (8 horas x R$ 530,00) — valores que refletem a complexidade e a responsabilidade do trabalho, e que superam o mínimo sugerido. "Não se trata de ser caro ou barato, mas de valorizar adequadamente um serviço técnico que exige formação, experiência e responsabilidade", defende Francieli.
Quando Cobrar e Como Cobrar
A especialista orienta que a cobrança deve ocorrer sempre que: - O cliente solicita um documento formal
- Há necessidade de apresentação em bancos, inventários ou processos
- O trabalho demanda pesquisa aprofundada de mercado
- O profissional assume responsabilidade técnica pelo valor
- O parecer será usado para tomada de decisão financeira
Estratégias para comunicar o valor: - Eduque o cliente: Explique a diferença entre opinião informal e parecer técnico
- Mostre o processo: Detalhe as etapas do trabalho de avaliação
- Apresente credenciais: Certificações, cursos e experiência contam
- Ofereça garantias: Documento formal com responsabilidade técnica
- Demonstre resultados: Cases de avaliações anteriores bem-sucedidas
O Mercado em 2025: Oportunidades Para Avaliadores
Com as perspectivas para o mercado imobiliário em 2025 indicando dificuldades no financiamento devido à alta da Selic (projetada entre 10% a 12% ao fim de 2025, segundo analistas do mercado), a avaliação técnica ganha ainda mais relevância. Investidores e compradores que operam com recursos próprios buscam precisão nas análises para não cometerem erros em aquisições. "Este é o momento perfeito para o corretor avaliador se posicionar como especialista técnico", aponta Francieli. "O mercado precisa de profissionais sérios que entreguem análises confiáveis, e esses profissionais precisam ser remunerados à altura." Avaliação é Profissão, Não Cortesia
O recado de Francieli Gouveia é direto: "Avaliação imobiliária é uma profissão regulamentada, com normas, responsabilidades e competências definidas. Quando o corretor entende isso, ele para de oferecer seu conhecimento de graça e passa a construir uma carreira sólida e rentável." Para corretores que desejam profissionalizar sua atuação em avaliações, o primeiro passo é reconhecer o valor do próprio trabalho. Só assim será possível comunicar esse valor aos clientes e estabelecer honorários justos que reflitam a importância e a responsabilidade do serviço prestado. Sobre a especialista Francieli Gouveia Francieli Gouveia é especialista em avaliação imobiliária, corretagem e capacitação de corretores, com 17 anos de experiência no mercado. Proprietária da Bella’s Bacacheri Negócios Imobiliários, já realizou mais de 800 avaliações e concretizou 650 vendas em Curitiba e região. Criadora do Método A.S.V.A e do curso Avaliador Especialista, também atua como perita judicial e é apresentadora do podcast Conexão Imobiliária transmitido quinzenalmente na Habla FM. É membra da COAPIN CRECI-PR e do Conselho de Integração Feminina CRECI-PR, atuando ativamente no fortalecimento de profissionais do setor imobiliário. Canais de divulgação e contato: Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
ROBERTA FABIANI DA TRINDADE
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