Celebrada por milhões de pessoas em todo o mundo, a Páscoa é uma das datas mais importantes do calendário cristão. Em 2026, será comemorada no domingo, 9 de abril, seguida pela segunda-feira, tradicionalmente considerada feriado em diversos países.
Para os cristãos, a data marca a ressurreição de Jesus Cristo, em que missas e celebrações religiosas ocupam a atenção central. Mas a Páscoa contemporânea vai além do significado litúrgico: para muitos, ela também representa período de descanso, convivência familiar e até consumo de chocolate.
Já a multiplicidade de sentidos tem raízes históricas. A palavra “Páscoa” deriva de “Pesach”, termo de origem hebraica que significa “passagem”, em referência à libertação do povo de Israel da escravidão no Egito. No cristianismo, a ideia de passagem é reinterpretada como a vitória da vida sobre a morte, simbolizada pela ressurreição.
Ainda há influências anteriores ao cristianismo. A origem remonta aos festivais pagãos da primavera, celebrados pelos antigos germânicos e celtas em honra à deusa Eostre ou Ostara, símbolo da fertilidade e renovação. Elementos como ovos e coelhos eram incorporados nessas celebrações como símbolos de renascimento, fertilidade e novos começos. No inglês, o nome “Easter” reflete essa herança.
Essa transformação cultural não é exclusiva da data. O Halloween, por exemplo, também tem origem em rituais pagãos adaptados ao longo dos séculos até se tornarem celebrações populares.
Entre os principais símbolos da Páscoa está o ovo, presente desde a Antiguidade. Povos como egípcios, persas e romanos já associavam o ovo à vida e à renovação. No contexto cristão, ele passou a representar a ressurreição, com a ideia de que a vida emerge mesmo após a morte.
A tradição de presentear com ovos também evoluiu ao longo do tempo. Durante a Idade Média, ovos decorados eram oferecidos como presentes. Mais tarde, surgiram versões sofisticadas, como os famosos Ovos de Fabergé, produzidos para a aristocracia russa. A partir do século XVIII, o chocolate foi incorporado, dando origem a um dos costumes mais difundidos atualmente.
Hoje, brincadeiras como a caça aos ovos de chocolate fazem parte da celebração em muitos países, especialmente entre crianças. Embora tenha perdido parte de seu caráter religioso, a data continua sendo um marco cultural importante.
Para a consultora espiritual Jovanka Buratto, esse caráter híbrido da Páscoa reflete uma busca contemporânea por significado. “A Páscoa carrega uma simbologia de passagem que continua atual. Até fora do contexto religioso, muitas pessoas sentem esse período como um momento de renovação”, afirma.
Símbolos e suas origens
Jovanka Buratto destaca que os símbolos tradicionais da Páscoa ajudam a compreender como diferentes culturas interpretam a data ao longo do tempo. “Os símbolos são linguagens antigas. Eles comunicam de forma objetiva e duram por gerações com significados adaptados”, explica.
Segundo ela, elementos como a luz, o cordeiro, o ovo e o coelho carregam leituras complementares. “A luz representa o triunfo sobre as trevas, algo muito presente tanto nos ciclos naturais quanto na celebração cristã da ressurreição. O cordeiro simboliza pureza e entrega, sendo um dos signos mais antigos compartilhados por diferentes tradições religiosas”, diz.
Ela também ressalta o papel do ovo como um dos símbolos mais universais. “O ovo é talvez o maior emblema de renascimento. Ele representa vida em potencial, nascimento e transformação, por isso aparece tanto em culturas antigas quanto hoje em dia”, explica.
Já o coelho e a lebre, segundo a consultora espiritual, estão ligados à fertilidade e à abundância. “São símbolos da continuidade da vida, muito associados à primavera”, conta.
Outros elementos, como os sinos, também ganham interpretação. “O som dos sinos marcam o despertar, anúncio de mudança. É como se chamasse para o novo ciclo”, ressalta.
A Páscoa permanece como comemoração multifacetada, a medida que reúne diferentes sentidos em torno da ideia de renovação. “Ainda que muitas pessoas celebrem a Páscoa pela social do que religioso, a simbologia permanece ativa. É uma ponte entre o passado e o presente, por meio dos rituais de troca, intenção e recomeço”, avalia.
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FERNANDA PEREIRA DA SILVA
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