Modern Logistics projeta 2026 com aposta em e-commerce e farma e acelera virada para logtech

Com plano estratégico de cinco anos, empresa prioriza setores que crescem a dois dígitos, mira mercado online que já movimenta R$ 380 bilhões no Brasil e lança plataforma própria de visibilidade para operações B2B

Por DA REDAçãO
2 8 Min

Modern Logistics projeta 2026 com aposta em e-commerce e farma e acelera virada para logtech
Modern Logistics

Modern Logistics projeta 2026 com aposta em e-commerce e farma e acelera virada para logtech

Com plano estratégico de cinco anos, empresa prioriza setores que crescem a dois dígitos, mira mercado online que já movimenta R$ 380 bilhões no Brasil e lança plataforma própria de visibilidade para operações B2B

A Modern Logistics iniciou 2026 com um novo posicionamento estratégico e decisões que redesenham sua atuação no curto e no médio prazo.
A companhia decidiu concentrar investimentos nos segmentos de e-commerce e farma, lançou uma solução proprietária de visibilidade logística para o mercado B2B e revisou sua estratégia de internacionalização, adotando um modelo mais eficiente de atuação nos Estados Unidos.
As mudanças fazem parte de um planejamento de cinco anos que, segundo o CEO Cristiano Koga, funciona como um guia de ritmo e prioridade para a empresa. “Não é uma decisão pontual. É uma construção estruturada, com clareza sobre onde investir e como crescer de forma sustentável”, afirma.

Modern Speed: a lógica por trás das decisões

O direcionamento estratégico está ancorado no framework “Modern Speed”, modelo interno que organiza a operação em cinco pilares: Serviço, Produto, EBITDA, Excelência e Diversificação. É neste último eixo que se concentram os novos movimentos.
“Dentro da diversificação, fomos buscar setores que crescem a dois dígitos no Brasil e, principalmente, na América Latina. E elegemos dois: e-commerce e farma”, explica Koga.

E-commerce ainda longe da maturidade no Brasil

Para o CEO, o comércio eletrônico brasileiro segue com amplo espaço para expansão.
Estimativas recentes apontam que o GMV (Gross Merchandise Value) do comércio eletrônico brasileiro - indicador que representa o valor total transacionado em vendas nas plataformas online, antes de descontos, fretes e devoluções - pode ter atingido algo em torno de R$ 380 bilhões em 2025. Contudo, isso ainda representa apenas 12% das vendas totais do varejo.
“Quando comparamos com a China, onde a penetração já supera 40%, ou com os Estados Unidos, acima de 30%, fica claro que o Brasil ainda está no começo dessa curva”, afirma. “O consumidor brasileiro gosta da conveniência de comprar online.”
A expectativa da Modern é de aceleração nos próximos anos. “A penetração pode passar facilmente dos 20% em dois ou três anos”, projeta.
Para capturar esse crescimento, a companhia está reforçando o que chama internamente de “3Cs”: Capacidade, Custo e Caminhão. “O e-commerce exige escala e resposta quase imediata. Às vezes, o cliente não te dá duas horas para reagir, ele te dá dez minutos. Se você não reage, ele troca de fornecedor. É uma corrida do ouro”, diz Koga.
A Modern, no entanto, não pretende disputar o last mile. “Esse espaço já tem players muito fortes e altamente competitivos. Nosso foco está no middle mile, em um modelo que chamamos de e-commerce B2B”, explica.
 A operação envolve cargas de maior volume, com uso combinado de caminhões e aeronaves.

Farma: resiliência, compliance e multimodalidade

No segmento farmacêutico, a lógica é distinta.
Segundo Koga, trata-se de um mercado menos sensível às oscilações macroeconômicas e altamente regulado. “O farma é resiliente. As pessoas continuam consumindo medicamentos, suplementos, cosméticos e produtos regulados, independentemente do ciclo econômico.”
A Modern já possui todas as licenças exigidas para atuar no setor, incluindo autorizações para cargas controladas e produtos enquadrados na RDC 430. “Esse nível de compliance cria uma barreira de entrada relevante e nos coloca em vantagem competitiva”, afirma o executivo.
A aposta em e-commerce e farma não exclui outros segmentos do portfólio, como automotivo, high-tech e aftermarket, mas reflete uma leitura mais cautelosa do cenário atual. “Esses mercados sentem mais os efeitos dos juros elevados e do endividamento das famílias”, observa.

My Modern: visibilidade logística chega ao B2B

Outro pilar do novo posicionamento é o lançamento do My Modern, plataforma própria de visibilidade logística voltada ao mercado B2B.
A solução funciona como um delivery management system, integrado ao TMS da companhia, à frota própria, a parceiros e a APIs externas. O sistema entrou oficialmente em operação no dia 5 de janeiro, após um período de testes com clientes no fim de 2025. “Recebemos feedbacks, fizemos ajustes e agora colocamos a ferramenta em produção”, explica Koga.
Segundo o CEO, o mercado B2B ainda opera com baixa maturidade digital. “Muitos diretores de indústria me dizem que não têm esse tipo de visibilidade. Ainda é muito telefone, e-mail e WhatsApp. Falta autoatendimento.”
Para ele, a transparência logística - comum no B2C - começa a se tornar uma exigência também no B2B. “Visibilidade é eficiência, governança e tomada de decisão. Isso vai ser um divisor de águas nesse mercado.”

Menos discurso, mais execução

Koga também faz críticas à forma como parte do setor discute inovação. “Todo mundo agora quer falar de Inteligência Artificial, mas muitas empresas nem sabem qual problema querem resolver”, afirma.
Segundo o executivo, há um descompasso entre discurso e prática. “O setor é muito rico em ideias e tendências, mas falha na execução do básico.”
A falta de dados confiáveis aparece como um dos principais entraves. “Não adianta falar em IA generativa se você não tem um TMS minimamente estruturado. Em muitos casos, os dados estão corrompidos, e aí você não consegue usar tecnologia para tomar decisão”, diz.

Internacionalização: rota ajustada, destino mantido

Já anunciada em ciclos anteriores, a expansão para os Estados Unidos segue no radar da Modern, mas em um novo formato. A companhia, presente em território norte-americano, decidiu alterar a operação com aeronaves próprias e priorizar o agenciamento de carga. “É como recalibrar o Waze. O destino continua o mesmo, mas a rota mudou”, resume Koga.
A estratégia passa a ser a atuação como freight forwarder, aproveitando a elevada capacidade instalada no mercado americano, especialmente em Miami. “Há empresas grandes, custos mais competitivos e muito mais eficiência do que operar um 737-800 do Brasil para os Estados Unidos”, explica.
Nesse modelo, as aeronaves da Modern permanecem focadas em rotas intrarregionais na América Latina, enquanto o escritório nos EUA atua na consolidação de cargas, parcerias e atendimento internacional. “Existe muito trade entre Brasil e Estados Unidos, e somos uma companhia baseada lá. Faz sentido estar presente.”
A meta é replicar no mercado americano o padrão de qualidade que sustenta uma taxa de retenção de clientes de 98%. “Acreditamos que há espaço para expandir esse modelo nos Estados Unidos”, afirma.

De operadora logística a empresa de tecnologia

O reposicionamento também passa por uma mudança de identidade. Hoje, a Modern investe entre 3% e 4% da receita anual em tecnologia.
“Eu não quero ser apenas uma empresa de logística. Nosso objetivo é ser, cada vez mais, uma empresa de tecnologia que faz logística - uma logtech”, conclui Koga.

Mais informações:

Fernanda Franco - Diretora de Relações Públicas e Assessoria
125 Park Ave., 25º andar
Nova York, NY 10017  [email protected]


 

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SANDRA MARIA DA CUNHA
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FONTE: Fernanda Franco, Diretora de Relações Públicas e Assessoria
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