O seminário integra os projetos “Catástrofes cotidianas 2: potências do atordoamento”, financiado pelo CNPq (405802/2025-0), e “Dinâmicas da Cultura Visual na constituição da textualidade de Mariana (MG) pela fotografia”, financiado pela Fapemig APQ-02049-25, e propõe uma reflexão sobre os efeitos duradouros de acontecimentos catastróficos na vida social. Em vez de tratar a catástrofe apenas como um evento pontual, a iniciativa parte da compreensão de que seus desdobramentos continuam a agir sobre o cotidiano, produzindo efeitos prolongados nas relações, nas memórias e nos modos de percepção.
A programação, organizada pelo grupo Cultura Fotográfica, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFOP, foi pensada para aproximar pesquisa acadêmica, debate público e circulação de conhecimento entre universidades. A presença de pesquisadores de três instituições federais de ensino superior localizadas em Minas Gerais reforça o caráter coletivo da Rede Linhas, rede mineira de estudos em narrativas e historicidades, e amplia o alcance da discussão em torno da catástrofe como fenômeno que atravessa o presente de maneira persistente. Nesse sentido, o seminário busca contribuir tanto para o desenvolvimento conceitual quanto para a popularização da ciência em diálogo com temas de interesse social.
A expressão “catástrofes cotidianas” orienta o debate. O termo aponta para acontecimentos cujos efeitos não se encerram no momento do desastre. Eles se prolongam no tempo, atravessam modos de vida e atingem com mais força grupos já marcados por desigualdades. Em Mariana, esse recorte ganha densidade própria. Desde 2015, a cidade sofre os impactos do Rompimento da Barragem de Fundão (Samarco, Vale, BHP) e acompanha as discussões sobre reparação após o Acordo de Repactuação de Mariana, firmado em 2024. Ao abordar a catástrofe como acontecimento duradouro, o seminário oferece uma chave de leitura para compreender como os efeitos desses processos permanecem ativos muito tempo após sua ocorrência.
Segundo o organizador do evento, Flávio Valle, professor da UFOP e pesquisador no campo da Cultura Visual, o encontro foi estruturado para ampliar a conversa entre pesquisadores e público interessado. “A proposta é pensar como a catástrofe continua operando no cotidiano, produzindo efeitos que não se encerram no momento do acontecimento”, afirma.
A programação inclui mesas de debate, apresentações de pesquisas, atividades formativas e ações de integração entre pesquisadores e estudantes. A organização também destaca a presença de estudantes de jornalismo na cobertura fotográfica colaborativa do evento, o que aproxima a atividade acadêmica da formação prática em comunicação.
No dia 6 de maio, a abertura reúne apresentações de iniciação científica sobre moda periférica, música, raça, gênero, religião, vida ordinária, cinema, luta pela terra e imagem. À noite, a mesa “Catástrofes Cotidianas: Potências do Atordoamento” reúne trabalhos de pesquisadores da UFU, UFOP e UFMG sobre cultura visual, fotografia, montagem visual, violência doméstica, poéticas do tempo e narrativas midiáticas.
No dia 7, o foco recai sobre proposições metodológicas. Os trabalhos discutem leitura de imagens, inventário de produções midiáticas latino-americanas, fotografia participativa, ações extensionistas, narrativas de travestis na universidade, mobilidade urbana excludente, dramaturgias de mulheres latino-americanas, gênero e política digital. A mesa aproxima campos distintos, mas mantém um eixo comum: como pesquisar experiências atravessadas por conflito, desigualdade e disputa de sentidos.
O encerramento, no dia 8, reúne os grupos de pesquisa para encaminhamentos e balanço coletivo. A proposta é consolidar o diálogo entre os pesquisadores, pensar desdobramentos futuros e reforçar a presença da universidade pública em debates que dizem respeito à vida social de Minas Gerais.
Para o organizador do evento, o seminário ajuda a consolidar o intercâmbio científico entre os grupos da Rede Linhas e amplia a circulação de pesquisas produzidas em Minas Gerais. “O seminário reúne pesquisadores de diferentes instituições para apresentar o desenvolvimento de suas pesquisas e debater maneiras de abordar as Catástrofes Cotidianas e quais são os limites e as potências do Atordoamento”.
A participação é especialmente indicada para estudantes, professores e pesquisadores das Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas e Artes, agentes culturais e sociais, especialmente aqueles que atuam com populações vulneráveis, e o público geral. A linguagem do seminário combina densidade conceitual com abertura para diferentes públicos, o que o torna um espaço relevante tanto para especialistas quanto para quem busca compreender melhor o tema.
SERVIÇO
Data: 6 a 8 de maio
Horário: 13h às 20h
Local: Hemeroteca do ICSA, Mariana, MG
Inscrição: No local
Público: Gratuito e aberto ao público
Link com mais informações: https://tinyurl.com/bdzdjt9m
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CRISTIANE MENDONÇA ALMEIDA
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