Brasil está no momento certo para uso de IA para gestão de produtos frescos,” diz CEO da Aravita

Marco Perlman defende que janela de oportunidade para o varejo brasileiro adotar tecnologia específica para frutas e verduras está aberta agora e não vai ficar aberta por muito tempo

Por KêNIA SANTOS
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Aravita

O varejo brasileiro está diante de uma janela rara, aberta agora, para adotar tecnologia avançada em gestão de frutas, legumes, verduras e ovos sem repetir a curva de tentativa e erro vivenciada em outros mercados. A análise é de Marco Perlman, CEO e cofundador da Aravita.

 

“O Brasil está no momento certo”, afirmou o executivo. “Quem dominar FLV com tecnologia nos próximos três anos vai estar muito à frente. É uma decisão que se toma agora”, decreta.

 

Para Perlman, a tecnologia para gestão de produtos frescos no varejo amadureceu globalmente a partir de 2023. Modelos de inteligência artificial que antes exigiam equipes próprias e infraestrutura dedicada passaram a rodar em arquitetura padrão de mercado, enquanto a interface de loja virou aplicativo de celular ou tablet com treinamento de poucos minutos. “Até 2020, IA específica para frescos era cara e exclusiva das maiores empresas de tecnologia do mundo. Hoje, redes regionais podem adotar a tecnologia direto pelo estado da arte”, explica.

 

O executivo defende que a FLV exige tratamento radicalmente diferente das demais seções do supermercado. “FLV é outro jogo”, sintetizou. “Em uma categoria em que o item vive de dois a sete dias, a demanda muda com clima, dia da semana e promoção, e o consumidor substitui produtos com naturalidade dentro da própria seção, soluções genéricas de supply chain não funcionam”. Perlman dá um exemplo concreto: quando o mamão entra em promoção, a banana deixa de ser comprada. “Quem prevê item por item, sem olhar a relação entre eles, perde a substituição e erra o pedido dos dois.”

 

Outro ponto é a qualidade do dado de estoque no varejo brasileiro de FLV. Notas chegam atrasadas, lotes inteiros são transformados em outros itens dentro da loja sem baixar o produto de origem e perdas não são lançadas no momento em que acontecem. “O problema não é o ERP, é o dado que o ERP tem”, resumiu. Segundo Perlman, IA específica para FLV começa a gerar valor justamente nesse ponto, corrigindo inconsistências de estoque que a operação não consegue manter limpas sozinha.

 

Os resultados observados em redes regionais do Sudeste e do Sul que adotaram a tecnologia da Aravita incluem redução de quebra na casa de 25%, decréscimo de ruptura na casa de 30% e ganho de margem pela diminuição de sobras de promoção que precisam ser liquidadas. “Não é mais promessa, é evidência”, afirmou Perlman. “O desafio do FLV é reduzir perda sem reduzir venda. Fechar a torneira é fácil. O difícil é reduzir a quebra aumentando a disponibilidade”, diz.

 

O painel “Rota da Inteligência: Da Compra Estratégica à Exposição que Vende” foi mediado por Nilson Gasconi, da GS1 Brasil, e contou também com Giampaolo Buso, diretor geral da PariPassu, e Christianno Sanguinetti, diretor comercial de perecíveis da Cencosud Brasil.


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FONTE: Aravita