Em um cenário em que as redes sociais se tornaram uma das principais vitrines profissionais, perder o acesso a um perfil pode representar muito mais do que um problema técnico. Para empreendedores, especialistas e prestadores de serviço, a suspensão de uma conta pode significar prejuízo financeiro, interrupção de projetos, perda de relacionamento com clientes e ameaça à reputação construída ao longo de anos.
Foi o que aconteceu com o adestrador Glauco Lima, especialista em treinamento de cães de assistência e cães de alerta médico. Por meio do perfil @adestradorglaucolima, ele compartilha diariamente conteúdos sobre educação canina, inclusão, qualidade de vida e a conexão entre seres humanos e cães.
A página, que reunia cerca de 90 mil seguidores e registrava aproximadamente 16 milhões de visualizações mensais, tornou-se uma importante ferramenta de comunicação, divulgação profissional e relacionamento com o público. No entanto, no dia 2 de maio de 2026, o perfil foi desativado. A situação se agravou quando a conta voltou a ser desativada duas vezes no intervalo de apenas uma semana.
O caso ocorre em meio a um mercado cada vez mais dependente das plataformas digitais. Segundo levantamento da Statista, o mercado global de marketing de influência movimentou cerca de US$ 32 bilhões em 2025, crescimento de 35% em relação ao ano anterior. Já projeção da Goldman Sachs Research aponta que a chamada economia dos criadores pode chegar a aproximadamente US$ 480 bilhões até 2027. Esses números mostram que perfis em redes sociais deixaram de ser apenas canais de exposição e passaram a representar ativos estratégicos para profissionais, marcas e empresas.
Em junho de 2026, autoridades de Taiwan informaram que entre 3 mil e 4 mil contas foram suspensas por erro técnico ligado a um sistema da Meta, que teria identificado equivocadamente usuários como menores de 13 anos. Segundo o governo local, quase 90% das contas haviam sido restauradas após a intervenção.
Nos Estados Unidos, relatos semelhantes também ganharam repercussão. Reportagem da WMAR-2 News apontou que mais de 65 mil pessoas assinaram uma petição pedindo mais transparência e responsabilização em casos de contas desativadas em plataformas da Meta. A mesma reportagem citou usuários que afirmaram ter perdido acesso ao Instagram ou Facebook após acusações que negam, sem receber explicações claras sobre a suposta violação.
O tema também chegou ao Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente que analisa decisões da empresa. Em decisão divulgada em 2026, o conselho apontou preocupações sobre falta de transparência, inconsistência nos critérios de desativação de contas e dificuldade dos usuários para obter suporte ou recorrer de penalidades. A análise reforçou que muitos usuários não recebem informações claras sobre qual regra teriam violado, qual sanção foi aplicada e quais caminhos estão disponíveis para contestação.
Segundo Glauco Lima, diversas tentativas foram feitas para solucionar o problema diretamente pelos canais de atendimento da Meta, empresa responsável pelo Instagram, mas sem sucesso. Diante da dificuldade e da ausência de resposta efetiva pela via administrativa, o adestrador buscou auxílio jurídico especializado.
O caso foi assumido pelo escritório Alexandre Casciano Advogados, que passou a conduzir as medidas necessárias para defender os direitos do profissional e buscar o restabelecimento da conta. Com atuação técnica e estratégica, a equipe jurídica conseguiu reverter a situação e recuperar o perfil.
A própria Meta reconheceu, em comunicado de 2025, que seus sistemas de moderação vinham cometendo erros de aplicação de regras e que pretendia ampliar os relatórios de transparência para incluir métricas sobre falhas de enforcement. A empresa também informou ter registrado redução de cerca de 50% nos erros de moderação nos Estados Unidos entre o quarto trimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2025.
O episódio chama a atenção para uma realidade cada vez mais presente no ambiente digital: perfis em redes sociais deixaram de ser apenas espaços de entretenimento. Para muitos profissionais, eles representam um verdadeiro patrimônio digital, reunindo audiência, credibilidade, histórico de trabalho, relacionamento com clientes e oportunidades de negócio.
A desativação inesperada de uma conta pode causar impactos diretos na atividade profissional, especialmente quando o perfil é usado como principal canal de divulgação e atendimento. Nesses casos, a atuação jurídica especializada pode ser decisiva para buscar a recuperação do acesso e a preservação dos direitos do usuário.
A experiência de Glauco Lima reforça a importância de profissionais e empresas tratarem suas redes sociais como ativos estratégicos. Diante de suspensões, bloqueios ou desativações sem solução pelos canais convencionais das plataformas, a orientação jurídica qualificada pode ser o caminho mais seguro para proteger reputação, audiência e atividade econômica no ambiente digital.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
EDUARDO GIOELI MICHELETTO JOEL
[email protected]