A evolução das fraudes digitais está mudando a lógica da segurança financeira no Brasil. Com criminosos utilizando inteligência artificial, automação e engenharia social para aplicar golpes em segundos, bancos e fintechs passaram a enfrentar um novo desafio: responder antes que a fraude aconteça. Segundo dados do Banco Central, o Pix ultrapassou 7 bilhões de transações apenas em janeiro de 2026, aumentando a pressão sobre as instituições para monitorar operações em tempo real sem gerar fricção para o cliente.
O avanço dos pagamentos instantâneos também ampliou a preocupação das instituições financeiras com as fraudes digitais. Dados do Banco Central obtidos pelo Broadcast, via Lei de Acesso à Informação (LAI), mostram que as notificações de suspeitas de fraude no Pix ultrapassaram a média de 390 mil registros mensais em 2024. Somente em janeiro de 2025, mais de 324 mil contestações foram aceitas pelas instituições participantes do sistema. Embora representem uma parcela pequena diante do volume total de operações, os números evidenciam o crescimento e a sofisticação dos golpes no ambiente financeiro digital.
Os impactos financeiros desse cenário também chamam atenção. Segundo estimativas de entidades e empresas de cibersegurança do setor financeiro, as perdas relacionadas a fraudes envolvendo o Pix chegaram a cerca de R$ 4,9 bilhões em 2024, acompanhando o aumento das tentativas de golpes digitais no país. Paralelamente, especialistas em cibersegurança alertam para o avanço de ataques com malware bancário e operações automatizadas, cada vez mais impulsionadas pelo uso de inteligência artificial por grupos criminosos.
Nesse contexto, uma das principais recomendações para o setor é abandonar modelos antifraude baseados apenas em regras fixas e investir em análise de risco dinâmica. Para Alcione Giovanella, Sócio da CBYK Consultoria e especialista em segurança transacional, o foco agora está em sistemas capazes de interpretar contexto, comportamento e padrões suspeitos em milissegundos. “A fraude deixou de ser uma disputa entre bancos e criminosos. Hoje a principal batalha é contra o tempo. O fraudador opera em segundos, e as instituições precisam responder na mesma velocidade para proteger recursos, preservar a confiança dos clientes e evitar impactos ao negócio”, afirma.
Durante muitos anos, a capacidade de detectar fraudes foi um diferencial competitivo para os bancos. Em 2026, o desafio mudou. A vantagem está na capacidade de tomar decisões em tempo real, equilibrando proteção, experiência do cliente e crescimento do negócio. Em um ambiente de pagamentos instantâneos, cada segundo conta tanto para o cliente quanto para o fraudador.
Mais do que tecnologia, o mercado percebeu que eficiência antifraude depende da integração entre dados, modelos analíticos, jornadas digitais e operação. O objetivo não é criar barreiras para todos os clientes, mas aumentar a precisão das decisões para aplicar controles apenas quando realmente necessários.
Outra estratégia que vem ganhando espaço atualmente é a orquestração adaptativa, modelo que ajusta automaticamente os níveis de autenticação conforme o risco de cada operação. Na prática, transações consideradas seguras seguem com menos atrito, enquanto movimentações suspeitas recebem camadas adicionais de validação.
Os bancos que apresentam melhores resultados em prevenção a fraudes também têm investido na evolução de suas operações. Equipes multidisciplinares compostas por especialistas em risco, dados, segurança e experiência do cliente atuam de forma integrada para reduzir o tempo de resposta e aumentar a assertividade das análises. Tecnologia sem capacidade operacional dificilmente acompanha a velocidade das ameaças atuais.
Ao mesmo tempo, o Banco Central vem reforçando iniciativas para ampliar a segurança e a transparência no ecossistema Pix. Entre as medidas está a criação de uma base de estatísticas de fraude vinculada ao MED (Mecanismo Especial de Devolução), que reúne informações sobre transações contestadas por usuários pagadores. A iniciativa deve contribuir para padronizar o acompanhamento das ocorrências, ampliar a transparência dos dados e fortalecer o monitoramento da evolução das fraudes no sistema de pagamentos instantâneos no Brasil.
Mais do que ampliar investimentos em tecnologia, o setor financeiro precisará evoluir sua maturidade operacional para acompanhar a velocidade das fraudes digitais. Em um ambiente cada vez mais instantâneo, a vantagem competitiva estará nas instituições capazes de combinar inteligência, automação e capacidade de resposta rápida para transformar segurança em confiança contínua para o cliente. “Em 2026, vencer a fraude não significa apenas bloquear ataques, mas construir operações capazes de reagir rapidamente sem comprometer a experiência do usuário. Quem conseguir equilibrar agilidade, proteção e confiança estará à frente no mercado”, finaliza Alcione Giovanella.
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Thalita Tartarelli do Nascimento
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