Aprender economia ecológica
Domínio Público
A economia é uma ciência que pretende governar o mundo. O dinheiro e as finanças constituem a maior preocupação da imensa parcela da humanidade nesta era contemporânea. Mas não é só a economia em sentido estrito que precisa ser conhecida por aqueles que se preocupam com o amanhã.
Diante do cataclismo climático, agravado com as violentas ondas de calor europeu e diante da proximidade de um El Niño que pode ser o mais feroz dos últimos 150 anos, é preciso cautela e aquisição de conhecimento superespecializado. Para os interessados no letramento ecológico – e todos deveriam sê-lo, diante dos prenúncios de fenômenos extremos – o livro do pesquisador Alexandre Igara é fator de consistente aprendizado. O autor propõe limites sociais e ambientais rigorosos para balizar o desenvolvimento socioeconômico atual. O título é “Economia Ecológica e Mudança Institucional”, obra disponível gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP. É uma versão aprimorada da tese de livre-docência defendida na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, em dezembro de 2025. O eixo central do livro está no desenvolvimento e apresentação de um modelo teórico-conceitual inovador. A partir de profunda explicação das dinâmicas e inter-relações entre poder, agência e ações coletivas no desencadeamento de mudanças institucionais dentro das mais distintas arenas políticas, sociais e econômicas, o autor esclarece que a Economia Ecológica é um campo científico devotado à concepção de caminhos civilizatórios mais virtuosos. Na verdade, o comportamento humano tem sido errático: desmata, polui solo, ar e água, produz excessiva carga de resíduos sólidos, que costumávamos chamar de “lixo”, mas que tem inegável valor econômico. Se isso continuar, o prenúncio de um amanhã borrascoso não deixará de ameaçar a humanidade. A obra esmiuça as balizas estruturais em suas dimensões formais – que englobam o aparato normativo, inclusive os acordos internacionais – e em suas dimensões informais, que residem nos hábitos cotidianos, nos costumes comunitários e na própria cultura de uma sociedade. Por exemplo: consumir demais, desperdiçar demais, não saber descartar aquilo que se desperdiça, é a razão de ainda existir no Brasil a pérfida e vexaminosa realidade dos “lixões”. A economia é o vetor mais potente para fazer com que os comportamentos equivocados se convertam numa conduta ecologicamente irrepreensível. Esse o segredo que não tem sido bem administrado por aqueles que estão profundamente angustiados com as perspectivas climáticas, mas não conseguem convencer os negacionistas, os céticos e os indiferentes, de que sem ação de todos, não haverá salvação para ninguém. Existe um inter-relacionamento bem próximo, íntimo até, entre ambiente, economia e processos de mudança paradigmática. No momento em que os descrentes passarem a acreditar no potencial econômico de uma transição energética para matrizes limpas, do valor do reflorestamento e da regeneração das áreas degradadas, tudo se tornará mais fácil de ser implementado. Sem ambiente saudável, direito explicitado na Constituição Cidadã de 1988, que é uma Constituição Ecológica, não haverá lavoura, nem produtividade do agronegócio, nem ambiente saudável para a sobrevivência digna de qualquer ser vivo. Não adianta permanecer apenas no discurso. É preciso ação. Ação que possa transformar as instituições carcomidas e anacrônicas, em agentes ágeis e hábeis para impor a reforma de que o comportamento humano está a necessitar. Mas as instituições só se modificarão, se o ser humano também se modificar. Por isso, a primeira revolução começa dentro de nossa cabeça, no aprimoramento de nosso freio inibitório, na exigência de uma conduta ética irrepreensível. Pensemos nisso e ajamos conforme o nosso discurso. *José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
LUCIANA FELDMAN
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