Jardim Respiro transforma sustentabilidade em experiência na CASACOR São Paulo com construção circular e paisagismo de baixo impacto
Assinado por Ana Lui, da Ana Lui Arquitetura da Paisagem, e Karen Marini, da Leve Paisagismo, ambiente une vegetação nativa, construção industrializada em EPS e economia circular para mostrar que inovação e responsabilidade ambiental podem caminhar juntas.
Fotos: Felipe Cuine
A sustentabilidade deixou de ser apenas um conceito para se tornar protagonista do Jardim Respiro, ambiente apresentado na CASACOR São Paulo 2026 pelas paisagistas Ana Lui, da Ana Lui Arquitetura da Paisagem, e Karen Marini, da Leve Paisagismo. Concebido como um espaço de contemplação e reconexão com a natureza, o projeto também funciona como um laboratório de soluções sustentáveis aplicadas na prática, reunindo paisagismo, inovação construtiva e economia circular em todas as etapas da execução.
Muito além da seleção de espécies predominantemente nativas brasileiras e da valorização da biodiversidade, o ambiente incorporou uma solução construtiva seca desenvolvida pelo Grupo Isorecort, baseada em peças produzidas em EPS (poliestireno expandido), que substitui métodos convencionais de construção por um sistema industrializado capaz de reduzir desperdícios, consumo de recursos naturais e impactos ambientais.
"O Jardim Respiro foi pensado para despertar uma nova relação entre as pessoas e a natureza, mas também para mostrar que cada decisão de projeto pode gerar impactos positivos. Sustentabilidade não está apenas na escolha das espécies vegetais. Ela está na forma de construir, nos materiais selecionados, na redução de desperdícios e na responsabilidade com tudo o que acontece antes, durante e depois da montagem do espaço", afirma Ana Lui.
Ao contrário das construções tradicionais, todo o sistema utilizado no Jardim Respiro foi fabricado previamente em ambiente industrial, garantindo precisão na produção e permitindo que as peças chegassem prontas para instalação. Essa estratégia eliminou diversas etapas da obra, reduziu significativamente o desperdício de materiais, diminuiu o consumo de água no canteiro e acelerou a montagem do ambiente, tornando o processo mais limpo e eficiente.
Além da eficiência operacional, o sistema foi desenvolvido para que praticamente todos os seus componentes tenham uma segunda vida após o encerramento da mostra. Em vez de serem descartados, os materiais retornam para a fábrica do Grupo Isorecort, onde passam por um processo de triagem técnica. As peças em perfeitas condições são reaproveitadas em novos projetos, enquanto aquelas que chegam ao fim do ciclo de uso são recicladas e transformadas novamente em matéria-prima para novos produtos, reforçando um modelo baseado nos princípios da economia circular.
Entre os elementos desenvolvidos para o espaço estão os cachepots utilizados no paisagismo, produzidos para serem totalmente reutilizáveis e recicláveis. Após a desmontagem da CASACOR, todas essas peças retornarão à indústria para avaliação, reaproveitamento ou reciclagem, reduzindo significativamente a necessidade de descarte de materiais.
"O paisagismo contemporâneo precisa dialogar com as questões ambientais de forma concreta. Não basta criar um espaço bonito; é preciso pensar na origem dos materiais, na eficiência da construção e no destino de cada elemento quando o evento termina. O Jardim Respiro mostra que beleza, inovação e responsabilidade ambiental podem coexistir em um mesmo projeto", destaca Karen Marini.
No total, aproximadamente 119 placas de EPS, em diferentes medidas e densidades, foram utilizadas na construção do ambiente. A escolha do material trouxe uma série de ganhos ambientais. Por ser extremamente leve, o EPS reduz o peso das estruturas e, consequentemente, diminui as emissões associadas ao transporte. Sua instalação praticamente elimina perdas no canteiro de obras, reduz a geração de resíduos e permite desmontagem sem danos aos componentes, possibilitando sua reutilização integral. Além disso, trata-se de um material 100% reciclável quando destinado corretamente, característica que ainda é pouco conhecida pelo público e que o Grupo Isorecort busca desmistificar.
Segundo Renata Padovani, engenheira do Grupo Isorecort, a participação no Jardim Respiro demonstra como a construção civil pode evoluir para modelos mais eficientes e sustentáveis. "Desenvolvemos uma solução que une inovação, design e sustentabilidade em um único sistema construtivo. Nosso objetivo foi mostrar que é possível reduzir desperdícios, otimizar recursos naturais e ainda permitir que praticamente todos os materiais tenham um novo ciclo de vida após a desmontagem. Sustentabilidade precisa ser aplicada na prática, e a construção industrializada é um dos caminhos para isso", afirma Renata Padovani, engenheira do Grupo Isorecort.
A empresa explica que a industrialização do processo construtivo proporciona ganhos expressivos quando comparada aos métodos convencionais, como menor geração de resíduos, otimização logística, redução do consumo de recursos naturais e maior rapidez na execução da obra. Embora os indicadores específicos do Jardim Respiro não sejam divulgados, o projeto evidencia como soluções industrializadas podem contribuir para uma construção civil mais limpa, eficiente e alinhada às metas de descarbonização do setor.
A iniciativa também reforça as práticas ESG desenvolvidas pelo Grupo Isorecort, que incluem reciclagem do EPS, incentivo permanente à economia circular, desenvolvimento de soluções construtivas de baixo impacto ambiental e investimentos contínuos em inovação para ampliar a eficiência dos processos produtivos. A empresa também atua na conscientização sobre o potencial de reciclagem do EPS, combatendo um dos principais mitos relacionados ao material: a falsa ideia de que ele não pode ser reciclado.
Mais do que apresentar um jardim, o espaço propõe uma reflexão sobre o futuro da arquitetura, do paisagismo e da construção civil. Em um setor responsável por grande parte do consumo mundial de recursos naturais e da geração de resíduos, iniciativas como o Jardim Respiro demonstram que inovação, tecnologia e design podem contribuir para transformar práticas construtivas, reduzindo impactos ambientais sem abrir mão da estética, da funcionalidade e da experiência proporcionada aos visitantes.
Ao integrar natureza, engenharia, industrialização e economia circular em um único projeto, o Jardim Respiro se consolida como um exemplo de que sustentabilidade não precisa ficar restrita ao discurso — ela pode estar presente em cada escolha feita durante todo o ciclo de vida de um ambiente.
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THAMIRIS DE SOUZA
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