Redes sociais, vídeos curtos e excesso de telas prejudicam a qualidade do sono, alerta especialista

Uso excessivo de dispositivos digitais pode causar ansiedade, dificuldade de concentração e até “jet lag social”, fenômeno cada vez mais comum entre jovens

Por MOGLIA COMUNICAçãO
2 5 Min

O hábito de passar horas consumindo vídeos curtos, rolando feeds infinitos e checando notificações antes de dormir tem impactado diretamente a qualidade do sono e a saúde mental de adolescentes e adultos. 

O estudo “The Impact of Social Media Use on Sleep and Mental Health Among Youth” (O impacto do uso das redes sociais no sono e na saúde mental entre os jovens), publicado na revista científica Healthcare (MDPI), revisou pesquisas recentes sobre o impacto das redes sociais no sono e na saúde mental de jovens e concluiu que o uso intenso dessas plataformas está associado a dificuldade para adormecer, redução do tempo total de descanso e maior risco de ansiedade e depressão. 

Segundo a professora Adriana Lima Moraes, doutora em psicologia social e coordenadora dos cursos de Psicologia e Pedagogia da UniSociesc, o excesso de estímulos digitais dificulta o relaxamento do cérebro e interfere diretamente no funcionamento do organismo durante a noite.

“Hoje vemos muitos adolescentes e adultos passando horas conectados, principalmente consumindo vídeos curtos e conteúdos rápidos, que estimulam o cérebro de forma intensa e contínua. Isso dificulta o relaxamento necessário para dormir”, explica Adriana.

Além do estímulo mental constante, a professora destaca que a luz emitida pelas telas interfere na produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono. “O cérebro entende como se ainda fosse dia e demora mais para desacelerar”, afirma.

Outro fator importante é o funcionamento do sistema de recompensa cerebral. “Redes sociais e notificações ativam constantemente o sistema de recompensa do cérebro, gerando aquela sensação de prazer imediato e necessidade de continuar conectado. Isso faz com que muitas pessoas tenham dificuldade de ‘desligar’”, completa.

“Jet lag social” afeta cada vez mais jovens

Um dos fenômenos associados ao uso excessivo das telas é o chamado “jet lag social”, situação em que o corpo passa a funcionar em horários diferentes da rotina exigida por escola, faculdade ou trabalho.

“Muitos jovens dormem tarde por conta do uso das telas, estudos, redes sociais e estímulos digitais, mas precisam acordar cedo para a escola ou faculdade. Com isso, o corpo não consegue acompanhar adequadamente os horários impostos pela rotina”, explica Adriana.

Segundo ela, o resultado é um acúmulo constante de cansaço ao longo da semana. “Nos fins de semana, muitos tentam compensar dormindo até mais tarde. Isso acaba desregulando ainda mais o organismo e prejudicando o sono, o humor e até a disposição ao longo do dia”, pontua.

Ansiedade, irritabilidade e dificuldade de concentração estão entre os sinais de alerta

De acordo com a especialista, alguns comportamentos podem indicar que a rotina digital já está afetando o bem-estar e a saúde mental.

“Entre os sinais mais comuns estão dificuldade para dormir, cansaço constante, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e necessidade de checar o celular o tempo todo”, afirma.

Ela também destaca impactos no rendimento escolar e profissional. “Muitas pessoas relatam dificuldade de concentração até em atividades simples. Além disso, o excesso de conexão virtual pode acabar substituindo interações reais, favorecendo sentimentos de isolamento, baixa autoestima e até sintomas de ansiedade e depressão.”

A privação de sono também compromete memória, aprendizagem e produtividade. “Quando a pessoa dorme pouco ou acorda várias vezes durante a noite, há prejuízos importantes na memória, na atenção e na capacidade de concentração”, explica.

Uso equilibrado das telas pode melhorar o descanso

Apesar dos impactos negativos, Adriana ressalta que não é necessário eliminar totalmente o uso das redes sociais, mas desenvolver hábitos mais equilibrados.

“O mais importante não é proibir totalmente o uso das telas, mas desenvolver um uso mais consciente e equilibrado”, orienta.

Entre as recomendações estão evitar o celular pelo menos uma hora antes de dormir, reduzir notificações, não dormir com o aparelho ao lado da cama e criar horários mais organizados para descanso.

“Também é importante estimular momentos off-line, convivência familiar, atividades físicas e outras formas de lazer que não estejam ligadas o tempo todo às telas. Pequenas mudanças na rotina já costumam melhorar muito a qualidade do sono”, afirma.

A professora ainda alerta para casos em que a necessidade de checar mensagens e notificações durante a madrugada passa a comprometer a rotina e o bem-estar.

“Esse comportamento está muito relacionado à ansiedade digital e ao medo de estar perdendo alguma coisa importante. Quando começa a prejudicar o sono, os estudos, o trabalho e as relações pessoais, já pode se transformar em um problema de saúde”, conclui.


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JENNIFER ANN KOPPE
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