11/07/2017 às 21h21min - Atualizada em 11/07/2017 às 21h21min

Estudo brasileiro aponta dificuldade em prever novos surtos de zika

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Foto: Venilton Kuchler / ANPr
Pesquisadores brasileiros concluíram que é difícil prever outros possíveis surtos do vírus Zika no Brasil. O estudo traçou um panorama inédito entre o vírus e a microcefalia e destacou a necessidade de se esclarecerem as variações dos surtos e de se aprofundar a investigação sobre o assunto. "O que acontece é que nós não temos nenhum histórico, em nenhuma parte do mundo, de uma epidemia com essa magnitude e com essas dimensões enfrentadas em 2015 e 2016. O Zika é um vírus que foi introduzido bem antes [desses anos], mas cujas consequências se deram em 2015", explicou o pesquisador Wanderson Kleber de Oliveira, um dos autores do estudo e ex-coordenador-geral de Vigilância e Resposta às Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde. "Embora todas as nossas descobertas, juntamente com a literatura científica, apoiem a hipótese de que a infecção por zika vírus durante a gravidez causa microcefalia, nós não sabemos as razões da ampla gama de picos mensais de microcefalia ao longo do tempo e em regiões após os surtos do zika vírus", pontuou trecho do estudo, segundo a Agência Brasil. Possíveis explicações, segundo os pesquisadores, seriam a intensidade do surto, a interferência de cofatores e ações de saúde pública implementadas para evitar a exposição de grávidas ao mosquito. Atualmente vinculado ao Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Oliveira afirmou que os brasileiros ainda vivem o "espectro clínico do Zika". "Tivemos picos dessa doença no Brasil, seguidos por manifestações neurológicas, e hoje temos síndromes neurológicas, congênitas". Para o artigo Infection-related microcephaly after the 2015 and 2016 Zika virus outbreaks in Brazil: a surveillance-based analysis (Microcefalia relacionada à infecção após os surtos do vírus Zika 2015 e 2016 no Brasil: uma análise baseada em vigilância, em tradução livre), os autores utilizaram dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) sobre doenças transmitidas pelo Aedes aegypti coletados de 1º de janeiro de 2015 a 12 de novembro de 2016. Apenas 6% (309.783) das cerca de 8,5 milhões de notificações no período corresponderam ao vírus Zika. Do total, 87,4% (4.497.133) eram de dengue e 6,6% (339.880), de chikungunya.

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