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23/02/2023 às 21h57min - Atualizada em 24/02/2023 às 00h00min

Especialista avalia impactos ambientais da Tragédia de Petrópolis

Deslizamentos deixaram mais de 230 vítimas fatais

SALA DA NOTÍCIA Vitor Mattos
Lucas Alberguine
As chuvas ocorridas nos dias 15 de fevereiro e 20 de março do ano passado, foram um fenômeno assustador para a cidade de Petrópolis. Em poucas horas, mais de 260 milímetros de chuva devastaram do centro aos distritos e revelando problemas que podem provocar novos transtornos no futuro.

“Completamos um ano dessa tragédia há poucos dias e as consequências que ficaram são inúmeras. A localidade tem morros compostos por material sedimentar, ou seja, camadas de terra que foram depostas ali ao longo dos anos. E isso traz como consequência a instabilidade e o desprendimento de materiais em diversas regiões, após o acúmulo de água que escoa de forma irregular e passa a infiltrar esses locais. Outro agravante é o assoreamento dos principais rios da cidade, o que pode voltar a ser um problema para as próximas chuvas, além da infiltração que pode trazer novos deslizamentos”, explica a Engenheira Agrônoma e Perita Ambiental, Carolina Rodrigues.


De acordo com a especialista, é necessário um estudo geológico nas áreas de alta instabilidade para detectar em que níveis se encontram. Uma das grandes dificuldades é a ocupação irregular em localidades que tem escoamento de esgotos inadequados e até mesmo de lixo.

“Precisamos ter vários cuidados para evitar outras catástrofes. Dentre eles a observação do movimento da água, por onde escoa, que caminho faz e qual volume pode atingir. Isso evita que sejam feitas intervenções em locais que não são apropriados. Tudo começa pela adequação e regularização das moradias em locais de risco, pois tendo fiscalização muitas dessas tragédias poderiam ter sido evitadas. Porém como já ocorreu a ocupação, se faz necessário a instrução da população, obras de saneamento e também de contenção para evitar riscos futuros em áreas de morro ou beiras de rio”, detalha Carolina.

A especialista chama a atenção para a importância da consciência ambiental, que está relacionada diretamente à qualidade de vida das pessoas.

“A consciência ambiental é importante porque tem efeitos positivos na para o planeta e para a vida das pessoas. Uma das coisas mais importantes que ela faz é informar as pessoas sobre os perigos que podem ocorrer ao não ter cuidado com o uso da terra. É muito importante que os devidos profissionais sejam envolvidos nos processos de construção e avaliação de solo, principalmente para tornar mais seguro e respeitar a natureza, evitando mortes futuras ou danos ambientais. Temos hoje em escolas e comunidades iniciativas que acontecem justamente com esse objetivo: educar para transformar”, pontua a Engenheira Agrônoma.

Uma das soluções que poderia contribuir para a recuperação de áreas degradadas é o reflorestamento. A técnica conta com o plantio de   árvores realizado sequencialmente pelo ser humano, em larga escala e de forma mais ágil. É importante, no entanto, se atentar a duas características essenciais das plantas: tempo de crescimento e adaptação ao solo e clima. Esses atributos fazem com que elas se desenvolvam em um ritmo mais acelerado e, desta forma, promovem uma rápida cobertura na área a ser recuperada. É necessário preparar o terreno, escolher as ferramentas adequadas e optar pela técnica menos invasiva. A técnica também depende da espessura da camada de terra que se encontra em determinado local a ser restaurado.
 
 
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